Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, divulgou nesta quarta-feira (28) um comunicado oficial de Miami, na Flórida, no qual assume a liderança da oposição ao governo brasileiro a partir do exterior e contesta o resultado do segundo turno da eleição presidencial, realizado no último domingo (25).
No documento, o senador questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar o horário de votação no segundo turno. Segundo Bolsonaro, a medida teria permitido, em tese, que o presidente Lula acrescentasse “mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno” — alegação sem comprovação apresentada no comunicado.
Flávio Bolsonaro anuncia liderança da oposição do exterior
O senador afirmou ter deixado o Brasil com a família para garantir condições de atuar politicamente. Em trecho do comunicado, ele justifica a saída do país:
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como líder do Brasil. […] Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança.”
Bolsonaro também se dirigiu a parlamentares e governadores aliados:
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”
O senador acusa o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de perseguição política, classificando como arbitrária, em tese, a determinação de apreensão de seus passaportes. Moraes teria agido, segundo o comunicado, no âmbito de inquéritos judiciais em andamento. Bolsonaro não apresentou provas das alegações.
No texto, ele cita líderes históricos que, segundo afirma, também atuaram fora de seus países em momentos de crise política. Bolsonaro lista os seguintes nomes:
- Rui Barbosa
- Charles de Gaulle
- José Martí
- Juan Guaidó
- Edmundo González
- María Corina Machado
O senador agradeceu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento nos respectivos países.
O comunicado termina com uma promessa ao eleitorado:
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.”
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, rebateu as alegações de irregularidades no processo eleitoral. “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, afirmou Marques.

