A Interpol colocou suas ferramentas de cooperação à disposição das buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, irmãos desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão. O apoio foi comunicado na terça-feira (8) pelo Núcleo de Cooperação Internacional à advogada da família, Nathaly Moraes. Nesta quarta-feira (9), a mãe das crianças, Clarice Cardoso, reúne-se com a Polícia Federal em São Luís para definir como a organização atuará no caso.
As crianças sumiram em 4 de janeiro de 2026 da Comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Três dias depois, um primo delas, de 8 anos, foi encontrado vivo na mesma região. Cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas iniciais. A investigação sobre o desaparecimento dos dois irmãos segue sob segredo de Justiça.
Para a advogada Nathaly Moraes, o contato da Interpol representa uma mudança concreta na condução do caso. “Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, disse ela.
A possibilidade de atuação em 197 países animou a família. “Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países. Eles têm essa possibilidade em 197 países. Isso deixou a gente extremamente animado”, afirmou Nathaly.
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PF havia arquivado pedido por falta de indícios de tráfico
A advogada já havia tentado transferir o caso da Polícia Civil para a Polícia Federal. O pedido foi negado. “Quando nós procuramos a Polícia Federal, eu pedi o desvio de competência da Polícia Civil para a Polícia Federal porque eu entendia que podia sim ser tráfico humano. Inicialmente, a Polícia Federal respondeu que era para arquivar o meu pedido porque não havia indícios suficientes de que houvesse tráfico humano, que não seria competência deles”, relatou.
O cenário mudou depois que o Núcleo de Cooperação Internacional entrou em contato. “Quando foi hoje, o Núcleo de Cooperações Internacionais entrou em contato falando que a Interpol estará conosco, que ela está oferecendo todas as ferramentas para nos ajudar, porque até então nós não tínhamos apoio da Interpol, de maneira nenhuma”, disse Nathaly.
Operação nos EUA e situação das crianças desaparecidas de Bacabal
Autoridades americanas resgataram recentemente 163 crianças em uma operação nos Estados Unidos. O Consulado Brasileiro acompanha a situação presencialmente junto às autoridades locais, mas não há confirmação de que Ágatha e Allan estejam entre as vítimas identificadas. Segundo Nathaly, o consulado orientou a família a aguardar o levantamento em andamento. “Tem um representante do consulado que está fazendo esse acompanhamento presencial lá com as autoridades americanas, e eles disseram que era para a gente aguardar. Está sendo feito o levantamento do reconhecimento de algumas crianças, porque algumas foram desconhecidas”, explicou a advogada.
A mãe das crianças não abandona a esperança. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, declarou Clarice Cardoso.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou sobre o andamento do caso:
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que os trabalhos para localizar Ágatha e Allan continuam. O órgão afirmou que não pode divulgar detalhes porque a investigação está sob segredo de Justiça. A secretaria também reforçou que informações que possam ajudar a localizar as crianças podem ser repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar.

Com informações do G1.
