O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou nesta quinta-feira (22) que as buscas pelas crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidas há 20 dias em Bacabal, Maranhão, mudam o foco para a investigação policial.
A nova fase da operação direciona os esforços para a apuração da Polícia Civil, mantendo a varredura no rio Mearim. Equipes já realizaram buscas completas em áreas de mata e lago, sem encontrar vestígios sobre o paradeiro dos irmãos.
Maurício Martins declarou: “Infelizmente nós não encontramos as crianças. […] Nós vamos fazer um redirecionamento para os trabalhos, dando enfoque às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento e até mesmo o Exército Brasileiro”.
O secretário destacou que o retorno às áreas de mata ocorrerá se indícios da investigação exigirem. A força-tarefa permanece com atuação integrada da Polícia Civil do Maranhão, Exército e Marinha, além do uso de drones no monitoramento.
Investigação sobre desaparecimento de crianças em Bacabal
Uma comissão especial de segurança, com dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz as investigações paralelamente às buscas. O inquérito policial já soma mais de 200 páginas, segundo o secretário.
Das duas bases utilizadas durante a operação, apenas a instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez, será mantida.
O prefeito de Bacabal, Roberto Costa, informou que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realiza fiscalizações não apenas nas rodovias do Maranhão, mas também em outras regiões do país. A Secretaria de Segurança Pública acionou um sistema nacional para usar bancos de dados de outros estados.
Martins acrescentou que a Polícia Civil utiliza o programa Amber Alert, que aciona a plataforma Meta para divulgar informações e fotos dos desaparecidos no Instagram e Facebook, com alcance de até 200 quilômetros da região.
Buscas no rio Mearim e atuação das forças
O secretário também pediu à população que não divulgue comentários ou informações falsas, pois podem prejudicar o andamento das investigações.
A Marinha informou que realizou buscas em 19 quilômetros do rio Mearim desde domingo (18), com cinco quilômetros vasculhados de forma minuciosa.
O capitão dos Portos, Ademar Augusto Simões Júnior, afirmou: “De forma criteriosa, vasculhamos cinco quilômetros do rio. Os pontos de interesse foram repassados aos mergulhadores do Corpo de Bombeiros para verificar se havia algum vestígio. Dentro dessa extensão, com o equipamento empregado, esgotamos as possibilidades de que as crianças estejam no local”.
As buscas fluviais identificaram 11 pontos de interesse, verificados por mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA). Nenhum vestígio relacionado ao desaparecimento das crianças foi encontrado.
A varredura utilizou o equipamento side scan sonar para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. O oficial destacou que a Marinha do Brasil segue à disposição para colaborar com as buscas.
Exército percorre mais de 200 km em Bacabal
O tenente-coronel João Carlos Duque, do Exército Brasileiro, informou que as equipes percorreram cerca de 200 quilômetros a pé e por embarcações nos arredores da comunidade.
O militar explicou que, em ambientes inóspitos, um ser humano consegue sobreviver, em média, entre oito e 12 dias sem acesso à água e alimentação. A ausência de vestígios sugere que as crianças podem estar fora das áreas já vasculhadas.
Duque declarou: “As equipes, incluindo os voluntários, percorreram toda a área definida para as buscas. Isso nos dá a garantia de que o local foi amplamente varrido e de que as crianças não foram encontradas ali. Essa constatação nos dá esperança de encontrá-las com vida, porque, dentro de uma perspectiva técnica, um ser humano consegue sobreviver em ambiente inóspito sem água e alimentação por oito a 12 dias. A ausência de vestígios amplia a possibilidade de que elas estejam em outro lugar”.

Forças de segurança intensificam investigações sobre o desaparecimento de Ágatha e Allan em Bacabal, Maranhão.






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