O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia derrubou os papéis da varejista na Bolsa de Valores nesta segunda-feira (17). A queda chegou a 34,85% durante o pregão, com as ações atingindo R$ 0,43 na mínima do dia, às 10h20 — o menor patamar desde o fim de 2023.
O movimento veio depois que a empresa divulgou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Para efeito de comparação, no mesmo período do ano passado, o resultado negativo havia sido de R$ 978 milhões. Às 14h, os papéis ainda acumulavam queda de 29,8%, cotados a R$ 24,46.
Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida bilionária
O pedido foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Nos documentos, a empresa relata dívidas totais de R$ 17,3 bilhões e aponta a deterioração de suas condições econômico-financeiras como motivação para o processo.
Para Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, o cenário expõe um problema estrutural do varejo brasileiro. Segundo ele, o elevado patamar das taxas de juros “come o ganho operacional antes de ele virar lucro”, o que é extremamente prejudicial para o ramo varejista.
O analista vai além ao explicar o que diferencia as empresas que resistem das que sucumbem: “O que separa quem sobrevive de quem não sobrevive hoje não é vender mais, é o perfil de vencimento da dívida e o acesso à garantia.”
As ações passaram por um grupamento de 25 para um em dezembro de 2023, quando eram negociadas a R$ 0,50. O Ibovespa recebeu as informações com cautela ao longo do pregão.

Com informações da Economia.