A Arábia Saudita ampliou o embargo à importação de frango para todo o estado de Santa Catarina — medida que vai além do que o Brasil defende como modelo sanitário adequado. A decisão, tomada na última quarta-feira (28), foi motivada por três focos da doença de Newcastle confirmados em granjas comerciais catarinenses. O estado responde por 25% da receita nacional de exportação do produto.
Os focos foram registrados em sequência: o primeiro, em 18 de outubro, no município de Nova Itaberaba; o segundo, em 24 de outubro, em Coronel Freitas; e o terceiro, em 27 de outubro, em Nova Erechim. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) declarou emergência zoossanitária de 60 dias nas três cidades.
Embargo ao frango de Santa Catarina contraria posição do Brasil
O governo brasileiro, por meio do MAPA e do Ministério das Relações Exteriores, defende o princípio de regionalização sanitária — ou seja, que as restrições comerciais sejam limitadas às áreas diretamente afetadas pelos focos, e não aplicadas a todo um estado ou país. A decisão saudita vai na direção oposta.
Outros países adotaram posições distintas. Japão, Emirados Árabes Unidos e União Europeia aceitaram restringir o embargo apenas às áreas municipais de restrição. Já Uruguai, México e Malásia suspenderam as compras de frango de todo o Brasil. A Arábia Saudita, assim como China e Chile, optou por bloquear especificamente todo o estado de Santa Catarina.
Veja os países com embargo a todo o Brasil:
- Uruguai
- México
- Malásia
Veja os países com embargo a todo o estado de Santa Catarina:
- Arábia Saudita
- China
- Chile
Veja os países que aceitaram o embargo regionalizado:
No total, mais de 40 países impuseram algum tipo de restrição comercial ao frango brasileiro desde o início do surto.
Impacto econômico e risco de expansão
De janeiro a maio de 2026, Santa Catarina exportou 543,1 mil toneladas de frango, com receita de US$ 1,15 bilhão. Se o modelo de regionalização fosse aceito por todos os parceiros comerciais, as perdas potenciais poderiam ser reduzidas em até US$ 954 milhões ao ano — dos quais US$ 293 milhões referentes ao mercado saudita e US$ 485 milhões ao mercado chinês, com base no fluxo comercial de 2025.
César de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA, avaliou a proximidade entre os três focos como um fator de atenção. “As granjas estão espalhadas pela região e são muito próximas. É muito preocupante”, disse. Ele também alertou para o risco de avanço geográfico da doença: “Se um caso aparecer fora dos limites de Santa Catarina, potencialmente, deve fechar esses outros dois estados e aí o impacto aumenta muito.”
Apesar do cenário, Alves avaliou que a estrutura de vigilância tem respondido. “O sistema de detecção e de notificação está funcionando”, afirmou.
O MAPA e o Ministério das Relações Exteriores seguem em negociações para reverter os bloqueios comerciais mais amplos.

