Um novo algoritmo de computação quântica do Google opera 13 mil vezes mais rápido que os supercomputadores convencionais. O resultado, publicado na revista Nature, foi desenvolvido com a participação de Michel H. Devoret, ganhador do Prêmio Nobel de Física, e aponta para uma transformação profunda em áreas como medicina e ciência dos materiais.
O que muda com a computação quântica do Google
Diferente dos bits tradicionais, os qubits — unidades básicas dos computadores quânticos — conseguem representar dois valores ao mesmo tempo. Essa propriedade permite que o novo algoritmo processe problemas de uma forma que máquinas convencionais simplesmente não conseguem acompanhar.
Devoret ingressou no Google em 2023. Décadas antes, ainda nos anos 1980, ele e os pesquisadores John M. Martinis e John Clarke já haviam demonstrado propriedades da mecânica quântica por meio de circuitos elétricos — base do que hoje sustenta os qubits supercondutores.
“Mostramos, pela primeira vez, que era possível construir átomos a partir de circuitos elétricos”, disse Devoret sobre aquela descoberta inicial.
O trabalho conduzido em Santa Barbara, na Califórnia, vai além da velocidade. Segundo o Nobel, a conquista abre caminho para cálculos que hoje estão fora do alcance de qualquer máquina clássica. “No futuro, quando tivermos computadores quânticos maiores, poderemos realizar cálculos impossíveis com algoritmos clássicos”, afirmou.
A professora Prineha Narang, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, avaliou o resultado ao The New York Times com otimismo cauteloso. “Temos ouvido muito sobre avanços em hardware e, por um tempo, temi que os algoritmos não acompanhassem. Mas eles mostraram que esse não é o caso”, disse.
Corrida global pela liderança quântica
O anúncio do Google acontece em meio a uma disputa tecnológica sem precedentes. A China já investiu mais de US$ 15,2 bilhões — cerca de R$ 82 bilhões — em computação quântica. Microsoft e IBM também estão na corrida, cada uma com suas próprias apostas no setor.
