Motoristas de caminhão estão parados há mais de 20 dias no Polo Empresarial Sul, em Teresina, com cargas retidas por causa da ausência do Código Identificador da Operação de Transporte — o CIOT. Sem o documento, nenhuma mercadoria pode circular legalmente. O impasse afeta trabalhadores vindos de diferentes estados, incluindo Sergipe e Rio Grande do Norte.
Cargas retidas em Teresina: o que está por trás do problema
O CIOT foi instituído pelo Governo Federal para fiscalizar o cumprimento da tabela de frete mínimo. O problema, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi), é que a medida entrou em vigor sem prazo suficiente para adaptação. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também não adequou o sistema para suportar a emissão do documento de forma eficiente.
Humberto Lopes, presidente do Sindicapi, foi direto ao apontar responsabilidades. “A culpa é do governo federal, que instituiu o CIOT para fiscalizar a tabela do frete mínimo, mas não deu o tempo necessário para que as empresas se adaptassem. A ANTT não progrediu no sistema para adotar o CIOT de forma eficiente. O CIOT gera a ordem de pagamento, o manifesto e o conhecimento; sem ele, não há documento fiscal para a mercadoria circular”, declarou.
O sindicato havia solicitado um prazo de 60 dias para que as transportadoras se preparassem. A solicitação não foi atendida. “Pedimos 60 dias para que as empresas se adaptassem, mas fizeram de uma hora para a outra. O prejuízo para o empresário é enorme, mas o maior sofrimento recai sobre os motoristas, que são trabalhadores sofridos”, afirmou Lopes.
Dias parados, sem comida e sem banheiro
Para quem está no pátio, a espera tem peso concreto. O caminhoneiro Edvaldo Ferreira soma 19 dias imobilizado. “Tenho minha família em casa e a gente fica quase 20 dias sem produzir nada, só tendo gastos. A empresa não oferece café, almoço, janta, nem banheiro. Se o caminhão roda, ele traz benefício; se está parado, é prejuízo total”, disse.
A situação sanitária também preocupa. José Erivan, outro motorista parado no local, descreveu o que enfrenta no dia a dia. “Quando a gente fica no meio do mato, ao relento, não tem onde tomar banho. Se precisamos usar o banheiro, temos que recorrer aos pneus dos carros ou ao mato, como se fôssemos bichos. Eles têm restaurante ali dentro, mas não oferecem um prato de comida; temos que tirar tudo do bolso”, disse Erivan, que veio de Aracaju.
Previsão de normalização
A gerência da empresa onde os veículos estão parados sinalizou que a emissão dos documentos deve ser normalizada de forma gradual nos próximos dias, com liberação escalonada das cargas. Não há data definida para a regularização completa.

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