Economia

Varejo pede isenção de impostos sobre produtos nacionais ao presidente da Câmara

Empresários do varejo se reuniram com Hugo Mota na Câmara para pedir isenção de impostos sobre produtos nacionais e equiparação com importados.

Representantes do setor varejista foram a Brasília pressionar o Congresso por isenção de impostos sobre produtos nacionais. O encontro, organizado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), reuniu empresários com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, e colocou na mesa uma das disputas mais sensíveis da política tributária atual: a desigualdade de tratamento fiscal entre o comércio brasileiro e as plataformas de importação.

Equiparação tributária com importados no centro do pedido

A demanda central do setor é que produtos nacionais de até R$ 250 passem a ter isenção de impostos — espelhando o benefício que hoje vale para importados de até R$ 50. Para o varejo, o fim da chamada taxa sobre compras internacionais de baixo valor criou uma vantagem competitiva para as plataformas estrangeiras, enquanto as empresas brasileiras continuam recolhendo tributos normalmente.

O IDV afirma que políticas de taxação sobre importados já geraram cerca de 107 mil empregos no país. A entidade defende que ampliar a equiparação tributária aprofundaria esse movimento, protegendo empregos, investimentos e a competitividade da indústria local.

Impacto nas contas públicas preocupa governo

Do lado do governo, a conta não fecha sem atrito. A estimativa é de que a isenção sobre importados já provoque uma perda de arrecadação de R$ 2 bilhões até 2028. Ampliar o benefício para produtos nacionais, na escala pedida pelo varejo, elevaria esse impacto sobre as contas públicas — um fator que tende a complicar a tramitação de qualquer proposta no Congresso.

Hugo Mota, segundo relatos dos bastidores, sinalizou sensibilidade à situação do setor e indicou que levaria o tema ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os empresários também buscam uma reunião com Alcolumbre para ampliar o apoio à pauta.

Escala 6×1 entra na agenda do varejo

Além da questão tributária, os empresários aproveitaram o encontro para pedir uma transição mais longa para o fim da escala de trabalho 6×1. O setor quer um prazo de até oito anos para que as empresas consigam se ajustar à mudança — um período considerado necessário para reorganizar quadros e processos sem impacto abrupto sobre as operações.

A pauta do varejo, portanto, mistura tributação e relações trabalhistas num momento em que o Congresso debate simultaneamente as duas frentes. A reunião com Hugo Mota foi organizada pelo IDV, que reúne grandes redes do comércio varejista brasileiro.

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