A Polícia Civil do Ceará cumpriu, nesta terça-feira (22), um mandado de prisão preventiva contra J. M. N., 34 anos, namorado de Isabelle Caracristi, 22 anos, estudante de Direito encontrada morta no pátio de um condomínio em Fortaleza. A ordem judicial se fundamenta nos artigos 122 e 147 do Código Penal — induzimento ao suicídio e ameaça, em tese.
A morte de Isabelle ocorreu na noite de 13 de setembro. Câmeras de segurança do condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, registraram a jovem entrando sozinha no elevador às 19h12 em direção ao 23º andar. O horário estimado do óbito é cerca de 20h40. Laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará apontou lesões compatíveis com queda e resultado negativo nos exames toxicológicos.
Família relata controle e bloqueios nas redes sociais
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, descreveu o comportamento do investigado ao longo do relacionamento, que durou cerca de três meses. “Ele era extremamente controlador, fora do normal, obsessivo”, disse ela. Isorlanda relatou ainda que, ao tentar contato com J. M. N. após a morte da filha, descobriu ter sido bloqueada em todas as redes sociais dele. “Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada… Certo, aí eu me desesperei”, contou.
O irmão de Isabelle, Rafael Magalhães, também relatou restrições ao convívio familiar. “Ela não tinha a oportunidade de ficar com a família sem estar sendo rastreada pelo próprio namorado. E a gente se questionava”, afirmou.
Defesa critica a prisão do namorado em Fortaleza
A advogada de J. M. N., Lígia Peixe, contestou a medida. Segundo ela, o cliente havia comparecido à 2ª Delegacia de Polícia da Capital na segunda-feira (21) e entregado o celular espontaneamente. “Ontem ele se apresentou voluntariamente, entregou o celular, eu deixei meus telefones, disse que a hora que precisassem ouvi-lo, ele estaria em qualquer lugar para ser ouvido. Demos o endereço e, de repente, a gente é surpreendido com isso”, disse a advogada.
Lígia Peixe negou qualquer envolvimento criminoso do cliente. “Eu não tenho como dizer por que estão fazendo isso, porque sabe-se que pode ter ocorrido queda ou suicídio, um ou outro. Mas não houve feminicídio, não houve homicídio, não houve instigação”, declarou.
Cronologia do caso
Veja a sequência de eventos registrada pelas autoridades:
- 13/09/2026 (18h32): J. M. N. é visto na portaria do condomínio; em seguida, deixa o local na companhia da mãe.
- 13/09/2026 (19h00): Isabelle envia mensagem à mãe informando afeto (‘Mãe, eu te amo’).
- 13/09/2026 (19h12): Isabelle entra sozinha no elevador e dirige-se ao 23º andar.
- 13/09/2026 (~20h40): Horário estimado do óbito no pátio do edifício.
- 13/09/2026 (22h48): J. M. N. retorna ao condomínio.
- 14/09/2026: A mãe da vítima toma conhecimento do falecimento no condomínio.
- 18/09/2026: Vídeo da mãe repercute nacionalmente nas redes sociais.
- 21/09/2026: Depoimentos de familiares da vítima e prestação de esclarecimentos da defesa na delegacia.
- 22/09/2026: Cumprimento da prisão preventiva de J. M. N. em Fortaleza.
A prisão preventiva foi decretada pelo Tribunal de Justiça do Ceará sob segredo de Justiça. As investigações sobre a morte de Isabelle seguem sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia da Capital.

