Teresina

MPF investiga aplicação de lei de Teresina após academia restringir banheiro feminino

MPF investiga os efeitos da Lei 6.389/2026 de Teresina após academia restringir banheiro com base na norma que a Prefeitura diz não obrigar particulares.

Uma academia em Teresina afixou um comunicado restringindo o acesso ao banheiro e vestiário femininos com base na Lei Municipal 6.389/2026 — a mesma norma que a Prefeitura da capital piauiense diz não impor obrigações a particulares. A contradição chamou a atenção do Ministério Público Federal, que instaurou um procedimento para apurar os efeitos práticos da lei no cotidiano da cidade.

O que diz a lei de sexo biológico em Teresina e por que o MPF investiga

A Lei 6.389/2026 define critérios biológicos para o uso de banheiros, vestiários e a participação em certames e competições esportivas no âmbito municipal. Desde agosto, ao menos uma rede de academias da capital passou a usar a norma como fundamento para restringir o acesso de frequentadoras ao banheiro feminino.

Continua depois da publicidade

O MPF expediu 13 ofícios a órgãos públicos e entidades para apurar como a lei está sendo aplicada. Na quarta-feira (16), técnicos da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão foram pessoalmente a uma das unidades da rede e constataram a restrição em vigor. No mesmo dia, a academia foi notificada a prestar informações.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Patrício Noé da Fonseca, explicou o que motivou o procedimento: “Uma norma que o município diz inerte está sendo lida, por particulares, como licença. Uma das duas leituras está errada, e cabe ao poder público dizer, às claras, qual é a sua. O procedimento existe para isso: converter uma reação difusa, que ninguém pode contestar, numa pergunta que alguém tem o dever de responder. Descrevemos condutas e critérios de acesso; não atribuímos intenções nem adjudicamos identidades.”

Continua depois da publicidade

O MPF também oficiou a Prefeitura de Teresina e a Câmara Municipal para que confirmem, formalmente, qual é o entendimento oficial sobre o alcance da lei.

TJPI encerrou ação sem analisar o mérito

A questão já havia chegado ao Judiciário estadual. Uma entidade da sociedade civil propôs ação direta de inconstitucionalidade contra a norma no Tribunal de Justiça do Piauí, mas o TJPI extinguiu o processo em 11 de setembro sem examinar o mérito. Nos autos, a Prefeitura de Teresina sustentou que a lei tem caráter programático e não obriga particulares — argumento que contrasta diretamente com o uso que a academia fez da mesma norma.

Continua depois da publicidade

Também em setembro, uma estudante da Universidade Federal do Piauí relatou ter recebido um comentário sobre proibição de uso do banheiro feminino no campus. A UFPI apura o episódio internamente.

Lei sexo biológico teresina academia: Lei sexo biológico Teresina e banheiros trans
Como esta notícia fez você se sentir?
Denison Duarte
Escrito por

Editor-Chefe do Somos Notícia - Jornalista formado pela Faculdade Estácio Ceut (2016), atua na cobertura de eventos no Médio Parnaíba desde 2008. Especialista em jornalismo local com foco em transparência e ética.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *