Enquanto o bitcoin acumula recuo de 42% desde outubro de 2025 e o índice de sentimento do mercado registra pânico por 60 dias consecutivos, carteiras classificadas como baleias — endereços com grandes volumes na rede — acumularam 270 mil BTC em 30 dias, o maior movimento líquido de compra em 13 anos, segundo dados da CryptoQuant.
A criptomoeda opera neste domingo (12) próximo a US$ 73 mil, distante dos US$ 126 mil atingidos em outubro de 2025. O índice Medo & Ganância, que mede o sentimento do mercado em escala de 0 a 100, ficou abaixo de 20 por cerca de 60 dias seguidos, território classificado como pânico.
Investidores de longo prazo adicionaram cerca de 30 mil BTC só na última semana, conforme os mesmos dados on-chain. No mesmo período, as reservas de bitcoin em exchanges caíram para 2,21 milhões de BTC, o menor nível desde dezembro de 2017. Menor disponibilidade de ativos para venda em bolsas tende a reduzir a pressão vendedora sobre o preço.
De acordo com Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, esse comportamento reforça a redução da oferta circulante e sustenta uma leitura construtiva para o médio prazo.
Grande investidor na queda do bitcoin: Strategy, Goldman e Morgan Stanley ampliam posições
A Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin do mundo, vendeu mais de 3 milhões de ações preferenciais da série STRC na quinta-feira (9), levantando capital para adquirir mais de 2.000 BTC, equivalente a cerca de US$ 144 milhões em um único pregão, segundo informações da empresa. No acumulado da semana, a companhia deve superar US$ 300 milhões em aquisições de bitcoin, de acordo com o histórico de compras próximo à data de corte para pagamento de dividendos, prevista para a próxima quarta-feira.
O Goldman Sachs divulgou posição de US$ 1,1 bilhão em ETFs de bitcoin. O Morgan Stanley lançou na terça-feira (7) o MSBT, descrito pelo banco como o primeiro ETF de bitcoin à vista de uma grande instituição americana, com taxa anual de 0,14% — abaixo do IBIT da BlackRock, que cobra 0,25%. O produto captou US$ 34 milhões no primeiro dia de negociação.
Os ETFs de bitcoin à vista registraram entrada líquida de US$ 358 milhões na quinta-feira (9), liderados pelo IBIT da BlackRock, com US$ 269 milhões. Março foi o primeiro mês com fluxo positivo após quatro consecutivos de saídas, com entradas totais de US$ 1,32 bilhão, conforme dados do setor.
Projeções divergem sobre patamar do bitcoin até o fim de 2026
Gautam Chhugani, analista da Bernstein, mantém alvo de US$ 150 mil para o bitcoin e afirma que menos de 5% dos ativos em ETFs saíram apesar da queda acumulada. Segundo o analista, 60% da oferta total de BTC está inativa há mais de um ano, o que indica que os detentores não estão vendendo.
O JPMorgan projeta entre US$ 240 mil e US$ 266 mil no longo prazo, com base em comparação com o ouro ajustada pela volatilidade de cada ativo, e afirma estar positivo para o mercado cripto em 2026. O Goldman situa o piso provável do ciclo entre US$ 69.000 e US$ 71.000, com projeção de US$ 200 mil em cenário de cortes de juros e avanço regulatório.
A gestora Fidelity, em estudo divulgado em março, aponta que o bitcoin foi o ativo de melhor desempenho em 11 dos últimos 15 anos. A Standard Chartered, por sua vez, alerta para possível recuo a US$ 50 mil antes de qualquer recuperação e revisou sua projeção para US$ 100 mil no ano, o terceiro corte consecutivo. O Citigroup cortou seu alvo para US$ 112 mil, citando desaceleração nos avanços regulatórios nos EUA.
No curto prazo, Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, aponta resistência em US$ 75.000. Se o bitcoin romper esse nível, há um vácuo de liquidez até US$ 85.500, segundo ela. Os suportes estão em US$ 69.150 e US$ 66.500, patamares que o ativo precisa preservar para evitar quedas mais agudas, conforme a analista.
Fábio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase, afirma que a perspectiva para o segundo trimestre de 2026 é neutra para o mercado de criptoativos, em razão do cenário geopolítico instável, que introduz riscos sistêmicos. Segundo ele, apesar da volatilidade, o bitcoin tem apresentado desempenho mais resiliente do que outras classes de ativos desde o início do conflito, incluindo ouro e prata.

Informações: Infomoney.
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