Fernando Cinelli, fundador da Apex Partners, foi afastado de todas as funções na última quinta-feira (6) após a nova gestão do grupo identificar inconsistências nas contas da empresa. A crise financeira que envolve o grupo chegou a um passivo estimado em R$ 985,6 milhões — e o grupo já recorreu à Justiça para tentar se proteger de cobranças imediatas.
Na última sexta-feira (7), a Apex Partners ingressou com pedido de tutela de urgência cautelar antecedente. A ação busca proteção judicial enquanto a empresa tenta reorganizar sua situação financeira. Junto com Cinelli, o diretor-financeiro Eduardo Siqueira também foi afastado do grupo.
Como a crise da Apex Partners chegou a quase R$ 1 bilhão
A deterioração foi rápida. Em 18 meses, a dívida líquida consolidada da Apex Partners saltou de R$ 413 milhões para R$ 975 milhões — patamar registrado em junho de 2026. O maior bloco individual do passivo vem das debêntures, que somam R$ 452,1 milhões. O endividamento bancário chega a R$ 201,7 milhões.
Uma análise preliminar conduzida pela nova gestão reduziu o montante de ativos realizáveis para R$ 190,1 milhões — queda estimada de 27,3%. Ao longo de 2025, o grupo vendeu participações em empresas para cobrir despesas operacionais, o que gerou um ganho contábil de R$ 73,1 milhões com alienação de investimentos e um lucro líquido de R$ 119,2 milhões no período. Os ativos que receberam os recursos, porém, não geraram caixa suficiente para sustentar o grupo.
Acionistas chegaram a aprovar um aporte de R$ 176 milhões para reforçar o caixa, mas a operação não se concretizou. Em junho de 2026, a Apex Partners também deixou de quitar a primeira parcela de uma obrigação com a Gazin Holding.
Diante do quadro, a nova gestão contratou perícia externa para mapear a real situação econômica do grupo e anunciou a intenção de responsabilizar Cinelli, em tese, por gestão considerada temerária e de má-fé. O grupo também pretende pedir o bloqueio preventivo de bens do ex-presidente.
Em nota, Cinelli disse que “está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da empresa, de seus investidores e acionistas.”
A Rhino Securitizadora S.A., cujos títulos de securitização integram o passivo da Apex Partners, publicou nota nas redes sociais para se distanciar da crise. Segundo a empresa, ela não integra o quadro de sócios, a administração nem a gestão do grupo.
“A companhia reforça que mantém estrita segregação funcional, patrimonial e operacional em relação à Apex Partners. (…) A Rhino atua no mercado há mais de cinco anos, é autorizada e fiscalizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e submete suas contas anualmente a auditoria externa independente”, diz a nota.
A Rhino acrescenta que atua exclusivamente como estruturadora e emissora dos títulos contratados pela Apex Partners, sem participação nas decisões de investimentos.

Com informações da Agazeta.