A busca pelos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completou um mês nesta quinta-feira (05) em Bacabal, Maranhão, sem novas pistas sobre o paradeiro das crianças. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil mantêm as varreduras e a investigação do caso.
As equipes atuam com apoio de cães farejadores, aplicativos de georreferenciamento e helicóptero para tentar localizar as crianças, que desapareceram no dia 4 de janeiro na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos.
O Corpo de Bombeiros do Maranhão informou que, nesta etapa, as equipes voltam a percorrer áreas já mapeadas. O objetivo é buscar detalhes que possam ajudar a elucidar o caso.
Diariamente, os agentes entram na mata, realizam vistoria em sistema de “pente-fino” e mapeiam as áreas percorridas. A ação busca vestígios como roupas, calçados ou objetos que indiquem o trajeto dos irmãos e ajudem a reduzir o raio de busca.
Investigação sobre o desaparecimento das crianças em Bacabal
Em alguns pontos, o acesso é considerado extremamente difícil, o que exige o uso de helicóptero para o avanço dos trabalhos.
Ágatha e Allan estavam acompanhados do primo Anderson Kauan, de 8 anos, e foram vistos pela última vez na comunidade onde moram. Três dias depois, lavradores encontraram Kauan em uma estrada de terra, a quase quatro quilômetros de casa. Os dois irmãos já não estavam mais com ele.
A mãe, Clarice Cardoso, afirmou que mantém a esperança. Ela relatou que não consegue dormir e sente a ausência dos filhos todas as noites. “A única coisa que eu quero é que eles me deem alguma notícia, para aliviar meu coração”, disse Clarice Cardoso.
Clarice Cardoso afirmou que a polícia tem ido até a comunidade, mas ainda não apresenta respostas concretas. “Eles só falam que estão nas buscas”, relatou.
Linhas de investigação e depoimentos
O coronel Célio Roberto afirmou que, nas condições em que as crianças estariam após tantos dias, elas já estariam exaustas. Para os investigadores, a ausência de vestígios, além dos pontos indicados pelos cães até a margem de um rio, é considerada intrigante.
A Polícia Civil informou que o trabalho agora se concentra em uma comissão de investigação criada especificamente para o caso. A comissão já ouviu dezenas de pessoas, checou informações e descartou algumas pistas.
Uma das linhas iniciais de investigação considera a possibilidade de as crianças terem entrado na mata. No entanto, a família afirmou não acreditar nessa hipótese, já que não foi encontrado nenhum vestígio nem na terra nem no rio.
O secretário de Segurança Pública do Maranhão informou que não divulgará detalhes da investigação para não atrapalhar o andamento do caso nem causar ainda mais sofrimento à família.
O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa, afirmou que a investigação segue em andamento e ainda não há conclusão. “Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas”, disse o delegado.
Uma comissão especial criada pela Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas.
Reconstruções e análises técnicas
De acordo com o delegado, diversas diligências foram realizadas ao longo desse período, incluindo reconstruções e análises técnicas. “Temos a reconstrução do trajeto do carroceiro, desde o local onde ele foi localizado até a entrega no povoado, além da reconstrução do local onde as crianças estiveram juntas pela última vez, com a participação, inclusive, de um menor, após autorização judicial”, explicou Ederson Martins.
O delegado informou que a Polícia Civil reúne relatórios de todas as forças que atuaram nas buscas. O Corpo de Bombeiros, a Marinha e o Exército também repassarão à Polícia Civil toda a documentação referente às buscas.
Questionado sobre a possibilidade de divulgar novos detalhes, Ederson Martins afirmou que, por enquanto, apenas as informações já divulgadas podem ser confirmadas. O delegado reforçou que ainda faltam pistas e que a conclusão só será possível após esgotar todas as possibilidades.
Primeiras fases das buscas e o rastro da “casa caída”
Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso.
A Marinha informou que realizou buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados minuciosamente.
No dia 23 de janeiro, as buscas entraram em nova etapa, com varreduras na mata reduzidas e foco na investigação policial. A mudança ocorreu após as equipes concluírem a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.
Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações. As equipes continuam atuando em áreas de mata fechada, rios e lagos, com participação de investigadores da Polícia Civil, agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, do Centro Tático Aéreo (CTA), do Batalhão de Choque da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros Militar.
A força-tarefa segue concentrada na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez.
Uma das pistas mais importantes dadas pelo primo, Anderson Kauã, à equipe foi a existência de uma casa abandonada no trajeto. Ele descreveu o local como “uma casa caída”, com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho.
As investigações e o rastreio dos cães confirmam a informação do menino. “Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu”, afirmou Maurício Martins, secretário de Estado de Segurança do Maranhão.
Anderson Kauã contou que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa. Ali teria acontecido a separação: Anderson Kauã seguiu por um lado da choupana, e as outras duas crianças, pelo outro.
“Ele não fala se ele seguiu para procurar ajuda ou para tentar voltar ao ponto inicial. As duas outras crianças já estavam extenuadas e ele resolveu seguir”, afirmou Ederson Martins, delegado de polícia.
Após alta médica, Anderson recebeu autorização judicial para participar das buscas e contou como o grupo se perdeu. Segundo o menino, eles saíram para buscar maracujá perto da casa do pai dele e, para não serem vistos por um tio, decidiu entrar por outro caminho da mata.
De acordo com o relato de Anderson Kauã, a intenção inicial era seguir até um “pé de maracujá”, que ficava próximo da casa do pai dele. Para não serem vistos por um tio, o menino decidiu entrar por outro lado da mata, tentando dar a volta por dentro do matagal. A partir daí o grupo teria se perdido.
O menino afirmou que em nenhum momento eles foram acompanhados por um adulto na trilha e que não encontraram frutas que pudessem comer. A investigação da Polícia Civil continua em andamento para apurar todos os detalhes do desaparecimento.

Informações: G1.
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