Santiago Peña foi destituído da presidência do Paraguai pelo Senado e preso em Assunção na sexta-feira (6), após o colapso do Ueno Bank, instituição que administrava US$ 850 milhões em recursos públicos. O ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também foi preso.
Impeachment de Santiago Peña: como o Senado do Paraguai destituiu o presidente
A votação no Senado foi de 44 votos a favor da destituição, com uma ausência. O processo correu em cerca de 48 horas: na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados havia aprovado a abertura do impeachment por 78 votos. No dia seguinte, o mandato de Peña estava cassado.
Antes da votação no Senado, Peña anunciou em vídeo nas redes sociais a intenção de renunciar. A manobra não funcionou. O Congresso rejeitou o pedido e manteve o julgamento político em curso. A defesa de Peña ainda tentou prorrogar o prazo para apresentação de argumentos — o Senado rejeitou esse pedido também.
Logo após a destituição, o Ministério Público do Paraguai ordenou a prisão de Peña e de Carvallo. Os dois cumprem prisão domiciliar em Assunção. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência do país no mesmo dia.
O deputado Raúl Benítez, do partido Central, criticou o encerramento do processo antes de um aprofundamento das investigações. “Vocês estão cometendo um erro. Dizem que essas medidas são para evitar a violência, mas, na realidade, a violência veio das instituições que não protegeram a população, que não cuidaram do dinheiro dos poupadores. O que cabe é que o processo de impeachment continue. Precisamos saber onde está o dinheiro”, afirmou.
A defesa de Peña anunciou que recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O colapso do Ueno Bank e a crise política
O banco digital Ueno Bank foi liquidado pelo Banco Central do Paraguai em 3 de novembro, após queda do índice de solvência para 5,56%. A instituição tinha quase 3 milhões de clientes e administrava recursos de órgãos públicos, entre eles o Instituto de Previsão Social.
Os depósitos do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank cresceram de 70 bilhões de guaranis em setembro de 2023 para 2,15 trilhões de guaranis em abril de 2026. No total, o banco concentrava US$ 380 milhões apenas dos recursos previdenciários.
Peña foi acionista do Ueno Bank até março de 2025, quando deixou a sociedade. A ligação com a instituição alimentou as acusações que sustentaram o processo de impeachment.
Em seu anúncio de renúncia, Peña declarou: “Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas.”
Alliana, já como presidente, prometeu ressarcir os afetados pelo colapso financeiro. “Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos”, disse.
Mariano Machado, analista-chefe para as Américas da Verisk Maplecroft, avaliou que a situação ainda é instável. Segundo ele, “os protestos contra o bloqueio das economias vão se intensificar se a saída de Peña parecer garantir sua impunidade ou se os pagamentos aos correntistas e pensionistas sofrerem atrasos”.
Na sexta-feira (6), Peña foi intimado a depor. A investigação segue em andamento.
