EUA e Austrália suspenderam serviços diplomáticos e consulares no Brasil às vésperas do primeiro turno das eleições gerais, marcado para este domingo (4). A justificativa oficial foi genérica — “questões de segurança” — sem que os dois países detalhassem a natureza das restrições. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suspeita de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
Suspensão rara e suspeitas de interferência nas eleições do Brasil
A medida chamou atenção de especialistas pelo histórico desse tipo de decisão. Ricardo Caichiolo, doutor em Ciências Políticas e Sociais e diretor do Ibmec Brasília, afirmou que “a paralisação de serviços consulares americanos no Brasil por motivos de segurança é algo extremamente raro, ocorrido anteriormente apenas por ocasião dos atentados de 11 de Setembro, excluindo-se o período da pandemia.”
Para Caichiolo, “decisões desse porte costumam sinalizar uma desconfiança em relação à capacidade das forças de segurança locais em garantir a proteção adequada às instalações diplomáticas.”
O governo brasileiro avalia a suspensão como uma possível tentativa de desestabilização do processo eleitoral. O Palácio do Planalto considera, entre as hipóteses, que a medida possa representar algum tipo de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Trump diz que observa as eleições brasileiras “de muito perto”
A tensão diplomática ganhou contornos mais explícitos depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, na Casa Branca: “Estamos de olho em tudo e vamos observar esta eleição de muito perto.”
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já havia emitido alertas sobre a possibilidade de interferências do governo americano no pleito. A Polícia Federal, por sua vez, realizou diligências preventivas em São Paulo em cooperação com agências de inteligência estrangeiras e não identificou ameaças concretas nem vínculos com organizações criminosas.
A campanha de Lula informou que o acionamento do TSE ocorrerá no âmbito de uma investigação sobre possível interferência externa nas eleições.
