A proibição das apostas esportivas pelo Governo Federal pode custar ao Clube de Regatas do Flamengo entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em receita no ano de 2027. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, alertou para cortes de pessoal e reestruturação em todas as áreas, do futebol profissional aos esportes olímpicos.
O contrato com a Betano, patrocinadora máster do clube avaliado em R$ 266 milhões anuais, tem uma cláusula que permite rescisão imediata em caso de mudança regulatória — sem qualquer ressarcimento ao Flamengo. Baptista explicou a situação em declaração ao clube: “O contrato é claro: se houver uma mudança regulatória dessa magnitude, o contrato pode ser cancelado imediatamente e não há nenhum tipo de reparação para o Flamengo.”
Os esportes olímpicos e o futebol feminino seriam os mais afetados de imediato. Segundo o presidente do clube, essas modalidades têm orçamento anual de R$ 70 milhões, dos quais R$ 20 milhões a R$ 21 milhões vêm diretamente de contratos ligados às apostas — o que representa cerca de 30% dos recursos dessas áreas.
Baptista também mencionou compromissos financeiros já assumidos que ficam sem respaldo no novo cenário. “O problema são os outros contratos que eu assumi, por exemplo, a contratação do Paquetá, outros compromissos que nós assumimos de renovação de contrato de jogadores. Esses, como é que a gente faz? A quem que a gente reclama?”, disse.
Sobre empregos, o presidente foi direto: “Entendemos que haverá ajustes nos Esportes Olímpicos, no futebol feminino, no futebol, no clube como um todo. Eles serão inevitáveis e não vão acontecer somente no Flamengo. Sobre empregos é possível que haja impactos e entendo que vai acontecer em todos os setores.”
Proibição de apostas esportivas e o impacto no futebol nacional
O Flamengo não é caso isolado. Quatorze dos vinte clubes da Série A do Brasileirão têm patrocínio de empresas de apostas estampado na camisa. O ecossistema movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões no futebol nacional. A Medida Provisória prevê o encerramento das operações das plataformas a partir de 6 de outubro de 2026, com pena de até seis anos de prisão para quem descumprir a norma. O texto ainda passa pelo Congresso Nacional, que tem 60 dias — prorrogáveis por mais 60 — para apreciá-lo.
Em comunicado, o clube afirmou: “O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar. E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade.”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico ao anunciar a medida: “Nós vamos acabar com as bets e os times que aprendam a virar times de empresários. Não é uma guerra, é uma decisão.”
Relembre o caso
O Governo Federal anunciou uma Medida Provisória para proibir as apostas esportivas online no Brasil, encerrando um modelo de negócio que se expandiu rapidamente pelo futebol nacional nos últimos anos. veja aqui.

