Na madrugada desta sexta-feira (1º), uma voçoroca em Buriticupu avançou sobre a rua São Francisco, na Vila Isaías, e consumiu parte do leito da via. O barranco desabou por volta das 3h, forçando pelo menos uma moradora a retirar seus pertences às pressas diante do risco de a residência ser arrastada pela erosão.
A cena desta madrugada não é isolada. O município, a 415 km de São Luís, convive com crateras gigantes há quatro décadas. São ao menos 30 voçorocas ativas espalhadas pela cidade, que já provocaram sete mortes e afetaram 360 famílias — muitas delas obrigadas a abandonar as casas e buscar imóveis em áreas mais seguras.
Associação registra impacto das erosões desde 2021
A dimensão do problema levou moradores a se organizar formalmente. Em 2021, foi criada a Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, presidida por Isaías Cardoso Aguiar. A entidade acompanha o avanço das erosões e representa as famílias que perderam ou correm risco de perder suas moradias.
O número de deslocados reflete a gravidade da situação. Centenas de famílias já deixaram suas casas em diferentes pontos de Buriticupu por causa das crateras, e a tendência de avanço das erosões mantém outras residências sob ameaça constante.
Risco persiste na Vila Isaías
Após o desabamento desta madrugada, a rua São Francisco permanece comprometida. A moradora que retirou os bens da casa ainda não tem garantia de que a estrutura resistirá ao avanço da voçoroca. Outras residências próximas também estão na área de risco.
O episódio reacende a discussão sobre a falta de intervenções estruturais em Buriticupu. Quatro décadas de erosões, sete vidas perdidas e 360 famílias impactadas compõem um histórico que a criação da associação, por si só, não foi suficiente para reverter. A cidade segue à espera de obras que contenham o avanço do solo.

Com informações do G1.
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