Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B. apresentou uma nova espécie de anfíbio que viveu há 280 milhões de anos e que pode ter se alimentado de plantas, uma característica inédita para o grupo. A pesquisa teve a participação do paleontólogo Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Os fósseis do animal, nomeado Tanyka amnicola, foram encontrados em sítios paleontológicos nos municípios de Nazária (PI) e nas Cidades maranhenses de Timon e Pastos Bons. Ao todo, foram identificadas nove mandíbulas pertencentes à mesma espécie, coletadas entre 2012 e 2023.
Segundo o coordenador da pesquisa, Juan Carlos Cisneros, a espécie possui um formato de mandíbula e uma disposição de dentes incomuns, o que sugere um hábito herbívoro. Conforme o pesquisador, praticamente todos os anfíbios conhecidos, tanto fósseis quanto atuais, são carnívoros.
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de mais de uma década e envolveu processos de limpeza e análise em instituições como o Museu de História Natural de Chicago. A equipe contou com a colaboração de especialistas da Argentina, Estados Unidos, Alemanha, África do Sul e Reino Unido.
Detalhes sobre a nova espécie de anfíbio descoberta por pesquisador da UFPI
O Tanyka amnicola foi classificado como um tetrápode basal, grupo que inclui os primeiros vertebrados com quatro membros, como anfíbios, répteis e mamíferos. A classificação se deve à preservação de características de formas mais antigas, apesar de ter vivido no Período Permiano.
Os pesquisadores descreveram o animal como “bizarro” em referência às suas particularidades anatômicas, como a mandíbula de formato irregular e dentes que se projetam para os lados.
Todo o material coletado durante as escavações, que soma mais de mil fósseis provenientes do Piauí e Maranhão, está sob a guarda da Universidade Federal do Piauí. A equipe do estudo é composta também pelos pesquisadores Jason D. Pardo, Claudia A. Marsicano, Roger Smith, Kenneth D. Angielczyk, Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer e Martha Richter.

Informações: Ufpi.
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