Após ampla repercussão sobre um idoso que morreu após ser atendido no chão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Promorar, em Teresina, na última quarta-feira (17), o médico de plantão, Josias Pereira de Sousa – que é natural de Amarante, e a técnica em Enfermagem, Polyena Oliveira, falaram sobre os esforços da equipe em reanimar o paciente.
A pessoa era um idoso, que não teve o nome informado. Ele chegou à UPA após sofrer uma parada cardíaca provocada por problemas respiratórios e morreu após dar entrada na unidade.
“Como não tínhamos conhecimento do tempo da parada cardiorrespiratória, nós tivemos que iniciar os procedimentos de reanimação durante seis ciclos, e ainda fizemos outras tentativas, tudo isso no chão porque os leitos estavam ocupados, inclusive os extras. O diretor da UPA saiu em busca de uma maca, mas quando ele chegou, a gente já estava no meio de uma tentativa de reanimação, que não podíamos mais parar, pois íamos perder, no mínimo, 1 minuto de reanimação cardiopulmonar”, explicou o médico ao Somos Noticia.
O amarantino, que atua em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da capital e com atendimentos também no Maranhão, explicou ainda que não houve êxito nas tentativas. “O paciente não teve Retorno de Circulação Espontânea e logo eu identifiquei que ele estava com a pupila aberta e sem reação. No sexto ciclo, vi que não havia mais condição de reanimá-lo e o paciente não teria mais retorno porque vi que já estava em óbito.”
Após o ocorrido, foram feitos registros fotográficos do paciente, que se espalharam em sites e redes sociais. O caso teve repercussão nacional enfatizando que o paciente morreu após ser atendido no chão por falta de maca. O Fantástico, da Rede Globo, também noticiou o caso.
A técnica em Enfermagem, Polyena Silveira, gravou um vídeo um dia depois do ocorrido relatando a dificuldade dos profissionais com o aumento da demanda no período da pandemia.
“Não tínhamos leito, monitor e nem ventilador, mas o que podíamos fazer foi feito. A gente está com essa falta de equipamento porque a demanda está muito alta. Fizemos (no paciente) mais seis ciclos de reanimação cardiopulmonar e não conseguimos trazê-lo de volta. A gente está numa situação traumática em que estamos trabalhando assustados”, disse ela.
Polyena explica que não houve negligência após a entrada do paciente. “Toda a equipe foi ao chão na tentativa de trazer o paciente de volta. O médico foi ao chão e entubou o paciente. Foram mais de 20 minutos incansáveis para trazer esse senhor de volta”
A causa da morte não foi ainda descoberta. Segundo os profissionais da UPA não foi possível saber quanto tempo o paciente estava em parada. O paciente foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbito.
Confira o video enviado ao Somos Notícia
