Um menino de 8 anos retornou neste sábado (24) ao quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, Maranhão, após 14 dias de internação. Ele recebeu uma nova casa com a família. Seus primos, Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, permanecem desaparecidos desde 4 de janeiro.
A nova residência, antes um imóvel abandonado, passou por reforma e foi entregue totalmente mobiliada. Anteriormente, a família morava em uma casa de taipa, construída com barro e madeira. Imagens do menino e do novo imóvel não foram divulgadas por motivos de segurança.
A Prefeitura de Bacabal forneceu a casa e a mobília. O retorno ao quilombo contou com a presença de Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão, e de Roberto Costa, prefeito do Município.
A criança desapareceu por três dias em uma área de mata e foi encontrada em 7 de janeiro na zona rural de Bacabal. Após o resgate, o menino permaneceu internado por 14 dias e recebeu alta hospitalar na última terça-feira (20).
Prefeitura de Bacabal anuncia medidas para a comunidade
Durante a visita, a Prefeitura de Bacabal anunciou que, a partir de segunda-feira (26), implementará medidas para melhorar a rotina da comunidade. As ações incluem a inclusão de atividades esportivas para crianças e adolescentes e a reforma da sede da Associação dos Moradores.
Uma rede de proteção foi estabelecida para manter o menino afastado de assédio ou exposição. Ele continuará recebendo acompanhamento psicológico contínuo.
Depoimento do menino auxilia nas buscas por crianças desaparecidas
Após receber alta, o menino obteve autorização da Justiça do Maranhão para participar das buscas pelos primos. Acompanhado por policiais e uma equipe da rede de proteção à infância, ele indicou os últimos caminhos percorridos com os primos até o momento em que carroceiros o encontraram em 7 de janeiro.
As pistas fornecidas pelo menino ajudaram a reconstruir parte do trajeto das crianças na mata e a esclarecer o momento da separação do grupo. Segundo ele, a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa do pai. Para evitar um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata.
A partir desse ponto, o grupo se perdeu. O menino afirmou que nenhum adulto acompanhava o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar. Ele relatou ter estado com os primos em uma localidade chamada “casa caída”, um abrigo simples de barro, troncos e palha.
A estrutura estava destruída, impossibilitando a permanência dentro. A investigação e o rastreamento com cães farejadores confirmaram a informação. “Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu”, afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão.
O menino contou que ele e os primos se abrigaram ao pé de uma árvore próxima à casa. Segundo o relato, a separação ocorreu ali: ele seguiu por um lado, enquanto as outras duas crianças foram pelo outro.
Buscas por crianças desaparecidas em Bacabal
O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael completa 21 dias neste sábado (24). O fato levou a uma mudança na estratégia das buscas em Bacabal, Maranhão, após o depoimento do primo de 8 anos e a ausência de vestígios nas áreas vasculhadas.
Após varreduras minuciosas sem pistas significativas, as autoridades informaram a redução das buscas e a intensificação da investigação policial. A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) mantém equipes em prontidão para retomar as buscas em locais específicos, caso novos indícios surjam.
“O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão.
Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento. Equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago.
“Infelizmente, nós não encontramos as crianças. Vamos redirecionar os trabalhos, dando foco às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento, incluindo o Exército Brasileiro”, acrescentou o secretário.
A investigação policial sobre o desaparecimento das crianças segue em andamento.










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