A conta de juros da dívida pública brasileira alcançou R$ 1 trilhão em 12 meses pela primeira vez na história, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Banco Central. O montante equivale a 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e supera o dobro do orçamento anual combinado das áreas de Saúde e Educação.
O valor de R$ 1 trilhão remunera exclusivamente quem empresta dinheiro ao Estado, sem destinação para investimentos em infraestrutura ou serviços públicos essenciais. Este é o segundo ano consecutivo em que o custo dos juros nominais se mantém próximo de 8% do PIB.
Em comparação, a fatura dos juros mais que dobrou em cinco anos. Em 2020, o custo representava 4,1% do PIB, indicando uma aceleração significativa no comprometimento da riqueza nacional com o pagamento de encargos financeiros.
A projeção aponta para uma aproximação dos 10% do PIB destinados ao pagamento de juros. Na prática, a Economia nacional destina quase um décimo de sua produção para cobrir os custos de empréstimos do governo.
Fatores que impulsionam a conta de juros da dívida pública
Três fatores principais explicam a elevação da fatura de juros, que saltou de R$ 310 bilhões em 2020 para o patamar atual. A piora fiscal do país, iniciada após a pandemia, contribuiu para o cenário.
No governo Jair Bolsonaro, o estouro do teto de gastos e medidas como o aumento do Auxílio Brasil e a redução artificial do preço dos combustíveis impactaram as contas públicas. Essas ações elevaram o risco percebido pelo mercado financeiro.
Com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a conta continuou a crescer. A PEC da Transição, as regras do novo arcabouço fiscal e a manutenção do aumento de gastos com Previdência e benefícios sociais contribuíram para a expansão da dívida.
A percepção de risco crescente leva o mercado a cobrar juros mais altos do governo. Este cenário, somado à inflação em alta, levou o Banco Central a manter a taxa Selic em patamar restritivo por um período prolongado.
Impacto da Selic e o efeito bola de neve
A Selic elevada representa o segundo motivo para a conta trilionária. Grande parte da dívida brasileira está atrelada a essa taxa, o que significa que juros maiores resultam diretamente em mais gastos para o governo.
O terceiro fator é o efeito de “bola de neve”. O governo não consegue cobrir os juros da dívida com a arrecadação de impostos, operando com déficit primário. Para pagar os juros da dívida anterior, o Tesouro emite mais dívida.
Este ciclo de juros sobre juros e dívida sobre dívida atua contra a economia brasileira e o contribuinte. O cenário exige um debate urgente sobre a gestão fiscal do país.
A ausência de um choque de credibilidade fiscal impede a queda estrutural das taxas de juros, mantendo o passivo da dívida em crescimento acelerado em relação à economia nacional.

Informações: Cnnbrasil.
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