Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu em Campinas, no interior de São Paulo, três dias depois de ser submetida a uma cirurgia por engano no Hospital Beneficência Portuguesa. O procedimento aconteceu em 8 de junho; ela morreu em 11 de junho, às 19h30.
Jandira havia sido internada no início de junho com obstrução da bolsa de colostomia. Ainda no pronto-socorro, profissionais aplicaram uma medicação errada sem conferir o nome completo da paciente. No dia 8, ela foi levada ao centro cirúrgico e passou por uma gastrostomia endoscópica — procedimento destinado a outra paciente.
Segundo a neta Camila Dias Barozzi, técnica de enfermagem com 12 anos de experiência, os sinais de deterioração surgiram logo após a cirurgia. “A partir do momento que ela voltou da cirurgia, ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter febre, já começou a ter tudo”, relatou. Para Camila, os sintomas indicavam infecção generalizada: “Tenho propriedade para dizer que ela começou a ter sintomas de infecção generalizada.”
Os médicos assumiram o erro à família ainda no dia 8, após descobrirem a troca de pacientes. A neta afirmou que a equipe alegou haver “benefício clínico” no procedimento realizado. A família, porém, responsabiliza o hospital pela morte antecipada da idosa. “Eles tiraram a chance e tiraram a fé que a gente tinha de ela poder melhorar”, disse Camila.
Hospital confirma erro e abre sindicância por cirurgia por engano em Campinas
O Hospital Beneficência Portuguesa confirmou o ocorrido, mas negou relação entre o procedimento e a morte. Em comunicado oficial, a instituição afirmou ter “identificado a ocorrência de um evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente”. A nota diz ainda que “a avaliação médica e técnica realizada após o ocorrido concluiu que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente”.
Sobre as medidas adotadas, o hospital informou:
“Desde a identificação do ocorrido, o Hospital instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já está com encaminhamento aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos.”
O hospital afirmou ainda ter reforçado protocolos de segurança assistencial e declarou que “lamenta profundamente o ocorrido e permanece à disposição”.

Com informações do Metropoles.