O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) realiza nesta terça-feira (17) uma ação educativa em seu ambulatório, em Teresina, para orientar pacientes e acompanhantes sobre a importância do sono para a saúde. A iniciativa ocorre em alusão ao Dia Mundial do Sono e à Semana do Sono 2026.
A programação inclui uma palestra com a médica otorrinolaringologista Luciana Almeida, especialista em medicina do sono e integrante do Instituto do Sono. Durante a atividade, serão abordados temas como a qualidade do sono, sinais de alerta para distúrbios e orientações sobre hábitos saudáveis de descanso.
Impacto dos distúrbios do sono na população
A ação busca chamar atenção para um problema de saúde pública crescente no Brasil. Dados do sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que cerca de 20% dos adultos no país dormem menos de seis horas por noite, tempo considerado insuficiente para a recuperação adequada do organismo.
Além disso, quase um terço da população brasileira apresenta sintomas de insônia, o que evidencia o impacto dos distúrbios do sono na saúde. A médica Luciana Almeida explica que houve uma mudança significativa nos padrões de descanso. “Há algumas décadas, as pessoas dormiam em média entre oito e nove horas por noite. Atualmente, a média caiu para cerca de sete horas, especialmente durante a semana”, afirma.
Fatores como o uso da luz elétrica, o aumento do tempo de exposição a telas, a maior carga de trabalho e o estilo de vida acelerado contribuíram para alterar o ritmo biológico das pessoas. A especialista ressalta que o sono é frequentemente negligenciado. “Dormir muitas vezes é visto como perda de tempo ou até como sinal de preguiça. No entanto, o descanso é essencial para a recuperação do organismo, tanto física quanto mental”, diz Almeida.
Principais distúrbios e riscos à saúde
Entre os distúrbios do sono mais comuns estão a insônia, caracterizada por dificuldade para iniciar ou manter o sono, e a apneia obstrutiva do sono, que provoca interrupções repetidas da respiração. Sintomas como ronco frequente, cansaço constante e sonolência excessiva durante o dia podem indicar problemas de saúde.
“Um ronco alto e frequente pode sinalizar dificuldade na passagem de ar pelas vias respiratórias e estar associado a apneia do sono. Já a sonolência excessiva durante atividades cotidianas também é um alerta importante”, destaca a médica.
A má qualidade do sono aumenta o risco de obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Também contribui para ansiedade, depressão e prejuízos na memória e na atenção.
O acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda representa um desafio. Exames como a polissonografia e tratamentos como o uso do CPAP, indicados para distúrbios do sono, têm acesso limitado em muitos serviços de saúde.

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