Sony Interactive Entertainment anunciou que vai encerrar a produção de mídia física para novos jogos PlayStation a partir de janeiro de 2028. A decisão, que consolida a migração total das vendas para a PlayStation Store, acirrou o debate global sobre o que significa, de fato, comprar um jogo digital — e impulsionou no Brasil uma proposta legislativa para proteger o patrimônio digital dos consumidores.
Com a mudança, 100% da receita de jogos passa a ser canalizada pela loja digital da Sony. Antes, o varejo tradicional retinha 30% do valor de cada título vendido em disco. Analistas de mercado apontam que o declínio dos suportes físicos vinha se acelerando desde 2020, e a Sony se mantém firme na decisão, segundo relatórios de mercado.
Reação global e a proteção do patrimônio digital no Brasil
A medida gerou reação imediata entre consumidores e entidades do setor. A Digital Entertainment and Retail Association (ERA) classificou a decisão como um “triunfo da conveniência corporativa sobre a escolha do consumidor”. Nos Países Baixos, ações judiciais milionárias foram movidas contra a prática. O youtuber Ross Scott lidera um movimento que pressiona por legislação capaz de impedir que jogos se tornem permanentemente inacessíveis após o encerramento de servidores ou suporte online.
O histórico da Sony alimenta parte da desconfiança. A empresa já apagou filmes comprados de bibliotecas digitais de usuários — episódio que expôs a fragilidade da posse digital e reforçou o argumento de que o consumidor, na prática, adquire uma licença temporária, não um produto.
No Brasil, a deputada federal Jandira Feghali propôs o Projeto de Lei 3612/2026, que busca garantir proteção ao patrimônio cultural digital dos cidadãos. A proposta tramita no Legislativo federal e tenta estabelecer limites ao modelo adotado pelas plataformas digitais, que transfere ao consumidor os riscos da descontinuação de serviços sem qualquer garantia de acesso futuro ao conteúdo adquirido.
A empresa PNP Games também integra o conjunto dos que pressionam por mudanças regulatórias no setor de entretenimento digital.
