O pesquisador amarantino Luís Paulo Moraes publicou uma série de estudos que resgatam e detalham aspectos históricos de Amarante, no Piauí. As pesquisas abordam temas variados, desde a modernização educacional na década de 1930 até o pioneirismo agroindustrial e eventos marcantes como um acidente aéreo de 1940.
Estudos revelam modernização do ensino em Amarante
Um dos trabalhos do jovem de Amarante (Entre decretos e hinos: como o Grupo Escolar Eduardo Ferreira marcou a modernização do ensino em Amarante) foca na inauguração do Grupo Escolar Eduardo Ferreira, em 9 de abril de 1935, durante a gestão do prefeito Major Joaquim Ferreira. O estudo contextualiza a iniciativa dentro da Era Vargas e da intervenção estadual de Landry Sales Gonçalves, período em que a Educação se tornou estratégica, centralizada e normatizada, conforme o Decreto-Lei nº 1.438 de 31 de dezembro de 1933.
A pesquisa aponta que o modelo de “grupos escolares” representou um avanço significativo em relação às escolas singulares e nucleares. O novo formato trouxe prédios próprios, turmas separadas por séries e normas pedagógicas rigorosas. O Grupo Escolar Eduardo Ferreira foi nomeado em homenagem ao Dr. Eduardo Ferreira, juiz de Direito e professor. A rotina incluía ensino cívico, moral, disciplinas clássicas, higiene, ginástica, trabalhos manuais e canto de hinos, com aulas que utilizavam mapas e cartazes. Inspeções anuais ou semestrais avaliavam alunos e professoras. O corpo docente histórico incluía nomes como Aurora Teixeira e Silva (Lolosa) e Anísia Pires.
Pioneirismo agroindustrial no Sítio Floresta
Outro estudo de Luís Paulo Moraes (Sob um céu chamado Amarante, nasce um legado) destaca o pioneirismo agroindustrial de Francisco José Lira, conhecido como Chico Lira, em Amarante. Nascido em 1864, Lira iniciou a fabricação de cachaça em 1889.
O empreendimento, denominado Sítio Floresta, foi fundado em 1915, em um período de grande seca no Nordeste. No local, eram produzidos açúcar, rapadura, aguardente, licores e vinhos. A pesquisa ressalta a inovação tecnológica de Chico Lira, que importou um moedor de cana de Glasgow, Escócia, na década de 1910. O equipamento foi transportado pelo Rio Mulato e a estrutura do sítio contava com barragem própria e uma roda hidráulica de 6,60 metros, movida pela água. O complexo foi reconhecido no Almanach da Parnahyba em 1933 pela sua prosperidade agrícola.
A importância histórica da Ponte do Mulato
Moraes também investigou a construção da Ponte do Mulato e sua relevância histórica, econômica e social para Amarante (A Ponte do Mulato: quando atravessar era mais que sobreviver). Antes da ponte, os moradores atravessavam o riacho a nado ou desviavam 1 km. No inverno, as cheias do Rio Parnaíba isolavam a cidade.
A obra teve início durante o Império, com alicerces e arcos de alvenaria, e foi concluída na República, sob o governo estadual de Coriolano de Carvalho e Silva, combinando alvenaria e madeira. A ponte ligava Amarante ao arraial de Areias e à estrada real para Teresina. Em 15 de abril de 1908, o Jornal Amarante já alertava que a falta de manutenção poderia levar a estrutura à ruína.
Acidente aéreo de 1940 e Concursos de beleza
Entre os fatos resgatados por Moraes, está a queda de um avião do Correio Aéreo Militar em Amarante, em 9 de fevereiro de 1940, uma noite chuvosa (09 de fevereiro de 1940: um avião, uma tragédia e a devolução de um bairro). A aeronave, um biplano Waco CPF F-5, matrícula C-66 e batizado de “Therezina”, operava na rota que ligava Fortaleza a Teresina. O acidente ocorreu devido a um vazamento de combustível, seguido de uma explosão quando moradores se aproximaram com tochas para ajudar. Dois tripulantes morreram carbonizados, e um oficial sobreviveu. Os corpos foram velados no cartório local e transladados. O local do acidente, na Rua do Aviador, mantém um cruzeiro onde moradores acendem velas.
Outra pesquisa aborda a historicidade dos concursos de beleza no Piauí antes da padronização do Miss Brasil em 1954 (Concursos de Beleza no Piauí no Século XX: muito além das coroas). Documentos comprovam eleições de “Miss Piauhy” já na década de 1930, com destaque para Antonia de Arêa Leão. Títulos como “Miss Altos” e “Miss Amarante” também existiam na época. Os concursos evoluíram de “rainhas” de clubes para eventos com organização institucional, imprensa e etapas oficiais, expandindo-se municipalmente e pela televisão. Moraes aponta que esses eventos funcionavam como espaços de sociabilidade e integração cultural.
Os estudos de Luís Paulo Moraes oferecem uma contribuição para o conhecimento da história de Amarante, Piauí, e seus desdobramentos sociais e culturais ao longo do século XX.
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Registros históricos enviados pelo pesquisador
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