A Avenida Paulista em São Paulo foi palco, neste domingo (6), de um ato de Jair Bolsonaro em defesa da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A manifestação bolsonaro paulista reuniu grande público de apoiadores do ex-presidente três semanas após um evento similar na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Diversas autoridades marcaram presença na manifestação pela anistia na avenida paulista, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Outros seis governadores também compareceram: Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Wilson Lima (União Brasil-AM), Ratinho Junior (PSD-PR) e Mauro Mendes (União Brasil-MT). Na manhã do evento, os governadores se reuniram com Bolsonaro antes de se dirigirem à Avenida Paulista.
O objetivo central do ato pró-anistia paulista foi o de pressionar por uma anistia para as pessoas presas e investigadas pelos ataques às sedes dos três poderes em Brasília. Durante o evento, orações foram realizadas, como a feita pela vice-presidente do PL Mulher, que convidou os presentes a elevarem os olhos para o céu, onde reside a esperança do Brasil.
Líderes políticos também discursaram. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirmou que o objetivo é obter 257 assinaturas de deputados a favor da urgência do projeto de anistia. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), referindo-se a alguns ministros como “ditadores de toga” e “covardes”. O senador Rogério Marinho (PL-RN) também discursou, afirmando que a anistia é uma prerrogativa do Congresso Nacional e criticando aqueles que a “vilipediam”.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se pronunciou, mencionando as famílias dos “presos políticos” e fazendo referência ao batom como um símbolo da luta pela justiça, em alusão a Débora Rodrigues dos Santos. Ela criticou a disparidade entre as penas aplicadas a manifestantes e a criminosos.
Em seu discurso, Jair Bolsonaro falou sobre a questão da anistia e também mencionou as eleições de 2026. Ele questionou a legalidade das eleições de 2022 e criticou as ações do STF, mencionando a condenação de um pipoqueiro e um sorveteiro. Bolsonaro afirmou que “eleições em 26 sem Jair Bolsonaro é negar a democracia”.
A Polícia Militar de São Paulo não divulgou uma estimativa oficial do público presente. No entanto, o Monitor do Debate Político no Meio Digital do Cebrap e da ONG More in Common, coordenado por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), estimou a presença de 44,9 mil pessoas no momento de pico da manifestação.
Ao final do evento, Bolsonaro, ao lado de Michelle Bolsonaro, agradeceu o apoio dos presentes. O ato na paulista se encerrou com pedidos de anistia e com a afirmação de que “não houve golpe”. O pastor Silas Malafaia, um dos idealizadores do encontro, também discursou, classificando o que ocorreu em 8 de janeiro como uma “farsa de um pseudo golpe” e criticando a perseguição política. Ele mencionou alertas da ABIN sobre o perigo de manifestações antes do 8 de janeiro e questionou a narrativa de tentativa de golpe.
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