Educação

Professores jovens somem das escolas públicas e idosos dobram em dez anos, aponta pesquisa

Número de docentes jovens caiu 31,1% em dez anos no ensino médio público, enquanto professores com 60 anos ou mais mais que dobraram, aponta Instituto Semesp.

O Brasil vive um apagão de professores no ensino médio público. Em dez anos, o número de docentes com até 24 anos caiu 31,1% — de 17,3 mil para 11,9 mil profissionais — enquanto o contingente de educadores com 60 anos ou mais mais que dobrou, saltando de 18,2 mil para 37,3 mil. Os dados são do Instituto Semesp, divulgados ontem em São Paulo.

O estudo criou um indicador próprio para medir a capacidade de reposição do magistério público: a Taxa de Renovação Docente. Em 2015, o índice era de 0,95 — próximo do equilíbrio entre entradas e saídas. Em 2025, despencou para 0,32. Ou seja, para cada profissional que chega à sala de aula, três deixam a carreira.

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Se a tendência se mantiver, a projeção da entidade é que, em 2040, haverá apenas um professor com até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais.

Apagão de professores no Brasil é mais grave em algumas disciplinas

A situação é ainda mais crítica em matérias específicas do currículo. Veja as disciplinas com as menores taxas de renovação docente:

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  • Geografia: 0,216
  • História: 0,234
  • Língua Portuguesa: 0,240
  • Sociologia: 0,263
  • Filosofia: 0,274
  • Artes: 0,278

Em Geografia, o índice de 0,216 significa que menos de um professor jovem entra na rede para cada quatro que saem.

Menos concursados, mais temporários

Paralelo ao envelhecimento do quadro, o vínculo empregatício dos docentes também mudou. O número de professores concursados, efetivos ou estáveis encolheu de 305 mil para 255 mil em uma década. No mesmo período, as contratações temporárias cresceram 40,4% — de 146 mil para 205 mil.

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Em 2015, os temporários representavam 32,2% do quadro público. Em 2025, chegaram a 43,4%. Já os concursados, que eram 67,2% do total, passam a responder por 54,1% das vagas.

O estudo, intitulado “Apagão dos Professores”, aponta que a combinação entre o envelhecimento acelerado e a mudança no perfil dos contratos representa um risco à qualidade da educação básica no país. A pesquisa foi apresentada na quarta-feira (16) durante o 28º Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro, em São Paulo, com a presença de representantes do Ministério da Educação e de delegações internacionais da África do Sul, China, Colômbia e México.

Apagão de professores no ensino médio: Professora jovem em sala de aula, contexto de apagão docente
Professora jovem em sala de aula, um perfil de docente que, segundo pesquisa do Instituto Semesp, está em declínio no ensino médio público, ameaçando a qualidade da educação no Brasil.
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Denison Duarte
Escrito por

Editor-Chefe do Somos Notícia - Jornalista formado pela Faculdade Estácio Ceut (2016), atua na cobertura de eventos no Médio Parnaíba desde 2008. Especialista em jornalismo local com foco em transparência e ética.

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