O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acionou a Polícia Federal e o Ministério Público para investigar uma onda de publicações nas redes sociais com ameaças, discurso de ódio e desinformação contra servidores da Justiça Eleitoral e seus familiares. Ao todo, os sistemas de monitoramento do tribunal contabilizaram aproximadamente 30 mil posts com esse conteúdo, registrados a partir de 6 de outubro.
TSE investiga ataques a servidores em escala inédita
As publicações têm como alvos principais os funcionários da área de tecnologia da informação responsáveis pelo processamento e pela totalização dos votos do primeiro turno das eleições. O conteúdo, monitorado pelo Núcleo Institucional de Garantia dos Direitos Eleitorais e pelo Núcleo de Inteligência do Grupo de Enfrentamento à Desinformação do TSE, sustenta, sem provas, que o resultado das urnas teria sido manipulado para beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando indevidamente a supressão de votos do senador Flávio Bolsonaro.
Em resposta, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou reforço imediato no esquema de proteção dos servidores e de seus familiares. O tribunal também passou a oferecer acompanhamento psicológico às equipes afetadas.
As plataformas X (antigo Twitter) e Meta — proprietária do Instagram e do Facebook — foram notificadas oficialmente para remover as postagens irregulares. O Ministério Público, por sua vez, apresentou representação formal requerendo a exclusão do conteúdo.
Em nota, o TSE reiterou que investidas contra o sistema eletrônico de votação e ameaças a servidores públicos federais configuram ilícitos previstos no Código Penal e na legislação especial.O Tribunal disse que “os servidores e seus familiares passaram a contar com efetivo de segurança, a fim de garantir sua integridade física e apoio psicológico”.
Os ataques aos servidores do TSE se inserem num quadro mais amplo de hostilidade contra o Poder Judiciário durante o pleito. A presidência do Supremo Tribunal Federal também encaminhou à Polícia Federal avaliações técnicas de segurança após o registro de milhares de ameaças de morte e agressão contra o ministro Flávio Dino.
