Parnaíba

Peixes morrem em massa em igarapé de São Luís-MA e moradores relatam problemas de saúde

Centenas de peixes morreram em igarapé na comunidade Terra do Rumo, em São Luís. Moradores relatam problemas de saúde e Sema coleta amostras para análise.

Centenas de peixes apareceram mortos em um igarapé na comunidade Terra do Rumo, zona rural de São Luís, levantando suspeitas de contaminação por efluentes industriais. Moradores da região relatam problemas de saúde e paralisaram atividades de pesca e extrativismo. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) e agentes de saúde municipais e estaduais iniciaram investigação no local.

A morte de peixes em São Luís foi registrada na semana passada. Na quinta-feira (8), equipes da Sema coletaram amostras de água em quatro pontos do igarapé para análise laboratorial. Agentes de saúde também ouviram moradores para registrar os quadros clínicos relatados, que incluem coceiras, náuseas, dores de cabeça e crises respiratórias. A Defesa Civil de São Luís também esteve no local.

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Os moradores apontam uma tubulação ligada à fábrica da Solar como possível origem do efluente que teria causado a mortandade. A empresa negou irregularidades. Em nota oficial, a Solar declarou:

A Solar declarou que todos os efluentes e resíduos gerados na unidade passam por tratamento rigoroso conforme as normas ambientais e técnicas vigentes, sendo posteriormente direcionados a uma central localizada a cerca de 3,5 quilômetros da fábrica. A empresa informou ainda que enviou uma equipe técnica ao local para mapear a tubulação indicada pelos moradores e prestar esclarecimentos aos órgãos fiscalizadores.

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A Sema informou que adotará sanções e medidas legais caso sejam constatadas irregularidades após a análise das amostras.

Pesca e extrativismo paralisados após morte de peixes em São Luís

O impacto vai além da saúde. Quem vivia do igarapé perdeu o acesso à principal fonte de renda. Jaciene dos Santos, empreendedora da comunidade, contou que a família depende da coleta de juçara e buriti — e que o medo de contaminação interrompeu tudo.

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“A gente vive da juçara, meu pai é o tirador da juçara aqui, meu filho está seguindo os caminhos dele, né? O buriti, que a gente colhe aqui, a gente não pode mais pegar o buriti, porque também a gente tem medo de tirar a polpa e contaminar outras pessoas”, disse ela.

Gilson César Rocha, autônomo da região, descreveu a mudança no igarapé ao longo dos anos. “Esse rio aqui, a gente frequentava ele, trazia muitas pessoas para banhar, né? Passar o dia. Nós pescávamos também, utilizávamos dos peixes daqui, só que, de um tempo pra cá, essa situação piorou, a gente não teve mais condições de banhar”, relatou.

Segundo o Instituto Reviva Rio, cujo presidente é Márcio Cruz, a degradação do igarapé é um problema que a comunidade enfrenta há cerca de 20 anos. Os órgãos mobilizados para a investigação são:

  • Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema)
  • Agentes de Saúde (Municipais e Estaduais)
  • Defesa Civil de São Luís
Representante de órgão ambiental ou de saúde em São Luís, onde a investigação da mortandade de peixes em igarapé é pauta.
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Denison Duarte
Escrito por

Editor-Chefe do Somos Notícia - Jornalista formado pela Faculdade Estácio Ceut (2016), atua na cobertura de eventos no Médio Parnaíba desde 2008. Especialista em jornalismo local com foco em transparência e ética.

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