Um único íon de lutécio. É com esse componente que o Centro de Tecnologia Quântica da Universidade Nacional de Singapura construiu o relógio atômico mais preciso já registrado — um equipamento que acumula desvio de apenas um segundo a cada 260 bilhões de anos. O estudo foi publicado na revista Nature.
Como funciona o relógio atômico de Singapura e por que ele é tão preciso
O projeto levou cerca de uma década para ser concluído. Para validar os resultados, a equipe construiu dois relógios de lutécio independentes e os operou por 200 horas contínuas. A divergência medida entre os dois dispositivos foi de 5,7 partes por 10¹⁹ — uma diferença ínfima que confirma a estabilidade do sistema.
Para ter uma ideia da escala: 260 bilhões de anos equivalem a quase 20 vezes a idade estimada do universo.
O pesquisador principal do projeto, Murray Barrett, é direto sobre o que o resultado significa. “Ainda não vi nenhuma tecnologia capaz de superar a estabilidade deste relógio em um futuro próximo”, afirmou.
A precisão supera recordes anteriores mantidos pela China e pelos Estados Unidos na área de medição de tempo.
Barrett também destacou o alcance do feito para além do laboratório. “O projeto demonstra a capacidade de Singapura de competir em pesquisa de alta tecnologia, investindo em tecnologias fundamentais e desenvolvendo capacidades técnicas”, disse.
As aplicações práticas da tecnologia incluem o aprimoramento de sistemas de navegação por GPS e de telecomunicações. O equipamento também pode servir como ferramenta para testes da teoria da relatividade. O próximo objetivo da equipe é desenvolver uma versão portátil do dispositivo.
