“Passado, Presente, Futuro”: a trajetória dos sonhos de futuros profissionais da Segurança Pública

Polícia

O sexto episódio do quadro “Passado, Presente e Futuro” conta a história do futuro escrivão Joseph Mateus Ferreira dos Santos, aluno do Grupo 01 da Turma 2/2021, do Curso de Formação de Escrivães e Inspetores da Polícia Civil do Estado do Ceará

A infância, no interior de Pernambuco, ficou marcada por adversidades. Aos 17 anos, uma paternidade precoce abriu um caminho de desafios financeiros que quase interromperam os estudos universitários e um sonho. Este é um breve resumo da biografia singular do protagonista desta sexta-feira.

A jornada é um testemunho de perseverança. Ele enfrentou inúmeros obstáculos na busca pelo grande objetivo: tornar-se policial civil e retornar ao Nordeste. Uma história exemplar de resiliência, determinação e esperança em meio a dificuldades e surpresas da vida.

Passado

Natural de Santa Maria da Boa Vista, interior de Pernambuco, filho de agricultores, Joseph Mateus relembra sua jornada desde a infância até os desafios enfrentados para realizar seu sonho de se tornar policial civil. Ele descreve uma infância humilde, marcada pelo trabalho duro de sua mãe, uma agricultora que tornou-se professora e que criou três filhos sozinha.

“Minha mãe criou sozinha três filhos, eu e minhas duas irmãs; meu pai morreu quando eu tinha onze anos. No início, ela trabalhava na roça, um tempo depois acabou passando no concurso para professor; até hoje ela é professora. Muitas vezes deixou a gente com nossa avó para poder trabalhar, em mais de um turno, inclusive mais de uma cidade. Houve algumas vezes que ela teve que fazer especialização fora do estado. A gente acabou passando três, quatro meses sem ver nossa mãe. E foi assim até o ensino médio”, recorda ele, com gratidão pelo sacrifício materno.

Aos 17 anos, Joseph se tornou pai, uma experiência que o impactou profundamente. “Foi muito pesado, porque eu não sabia o que fazer. Você tem aquele sonho de entrar na faculdade e, de repente, sabe que você vai ser pai, aos 17 anos de idade… E como eu não tinha uma estrutura nessa época, eu não tinha como sustentar um filho,”, confessa ele, lembrando-se do momento em que recebeu a notícia.

Apesar dos desafios, o pernambucano encontrou apoio na família para criar seu filho e continuar sua jornada em busca do seu sonho. “Eu só tinha duas coisas: medo e incerteza. Porque eu não sabia como eu ia fazer para criar ele, e eu só consegui realmente estudar por conta da minha mãe e da avó dele, as pessoas que deram apoio, que ficaram com ele até eu realmente conseguir sustentar ele. Até os três anos de idade eu não criei meu filho, eu perdi essa parte inteira da vida dele, e que até hoje eu me arrependo. Se eu pudesse eu teria criado ele no início e feito a faculdade depois, mas eu creio que isso aconteceu por um bom motivo, e agora eu vou ser pai de novo, descobri o sexo essa semana, inclusive: vai ser uma menina. E agora vai ser diferente”.

A determinação em buscar uma vida melhor o levou a cursar direito em Recife, 600 quilômetros distante de sua terra natal, enfrentando grandes dificuldades financeiras durante os cinco anos de faculdade. “Muitas vezes fui a pé para a faculdade, voltei a pé”, relata ele. Após a graduação, Joseph se casou e enfrentou novos desafios enquanto buscava estabilidade por meio de concursos públicos. “Foram dois anos trabalhando na loja da tia da minha esposa, viajando para fazer os concursos, e aquela dificuldade de dinheiro”, conta ele, com determinação em seus olhos.

Foi somente após uma conversa com seu filho – que expressou o desejo de ser policial – que Joseph redirecionou sua trajetória profissional. “Eu perguntei a ele o que ele queria ser quando crescesse, e ele disse: polícia. E acendeu em mim essa luz e eu pensei: “Por que não?”. Como eu nunca tinha pensado nisso antes? Foi a partir daí que comecei a me dedicar aos concursos da área policial”, revela ele, destacando a influência de seu filho em sua escolha.

O empenho e a dedicação o levaram a conquistar um cargo na Polícia Penal no Pará, antes de finalmente realizar seu sonho de ingressar na Polícia Civil do Estado do Ceará. “Foi esse concurso lá que me sustentou até a Polícia Civil do Ceará me chamar, meu sonho era voltar pro Nordeste. Deu certo”, conclui ele, com gratidão pelo apoio recebido ao longo de sua jornada.

Presente

Joseph reflete sobre o período do curso de formação, compartilhando suas impressões e experiências. “Está sendo um período muito intenso, mas gratificante. Finalmente estou vivendo meu sonho de ser policial civil. Foi um curso de formação muito esperado por nós, foram mais de dois anos de espera, mas valeu a pena. A estrutura da academia é excelente, as aulas práticas estão sendo muito enriquecedoras”.

Ao discorrer sobre as disciplinas e professores, Joseph expressa sua satisfação com a qualidade do ensino oferecido. “Eu já fiz um curso de formação no Pará. Lá também é um ensino integrado de segurança, mas a Aesp é muito mais organizada e integrada. A Polícia Civil em si é muito organizada, de todos os estados em que eu já passei a PC-CE é a mais estruturada”, destaca ele, enfatizando a excelência das instituições cearenses.

O futuro escrivão revela sua afinidade pela disciplina de investigação de crimes de homicídio e seu desejo de ingressar no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “Eu gostei bastante da disciplina de investigação de crimes de homicídio. Eu sempre gostei da área. Então, se eu conseguir escolher esse departamento, eu vou me sentir realizado”, conclui ele, com determinação em alcançar seus objetivos dentro da Polícia Civil.

Futuro

Sobre o seu futuro na Polícia Civil, Joseph é direto: “Quero chegar e fazer o máximo que eu puder. Quero contribuir com a Polícia Civil. Sempre foi o meu sonho, eu estou realizado. Quero que meu filho sinta ainda mais orgulho de mim e que enxergue a Polícia assim como eu enxergo. Quero que ele siga os meus passos”.

Ele também revela sua afinidade com o ensino e sua vontade de retornar à Academia como instrutor, destacando sua paixão pelo ensino e o desejo de transmitir seu conhecimento aos futuros policiais. “Ensinar está no meu sangue. Minha mãe é professora, então ensinar também é uma vontade minha. E eu sei que eu vou poder contribuir muito, pois eu também já tenho a experiência do outro curso de formação e sei que são conhecimentos que podem ser agregados”, conclui o futuro escrivão.

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Fonte: Polícia Civil do Ceará

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