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Morador de Regeneração lamenta preconceito sofrido após ser diagnosticado com Covid-19

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus no Brasil – no final de fevereiro, tem crescido o número de casos de pessoas que, além de estarem com a doença, são vítimas de preconceito da sociedade em geral.

Em meados do mês, a principal autoridade da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michelle Bachelet, pediu às pessoas em todo o mundo para que tivessem mais solidariedade com os asiáticos, isso porque todos passaram a chamar o novo coronavírus de “o vírus chinês”, o que, segundo informações, fez aumentar o preconceito a todos da Ásia em todo o mundo, inclusive no Brasil.

De modo mais específico, o preconceito atinge também os que têm confirmada a infecção por coronavírus em todos os lugares, e no Piauí não é diferente. É o que diz um morador de Regeneração, que não teve sua identidade informada. “Testei positivo (no início de junho) sem sintomas, e toda a minha família testou negativo. No dia seguinte, o pessoal quis apedrejar meu carro só porque meu filho estava nele. Após a confirmação, eu não tive acompanhamento da equipe de saúde durante o período, como também outras pessoas da cidade se queixam dessa falta de atendimento. Essa situação tem sido muito difícil em Regeneração, pois, além de mim, outras pessoas têm sido alvo de preconceitos e têm sido maltratadas na cidade”, explicou.

A família, segundo ele, também sofreu retaliações diversas no município desde que foi diagnosticado com a doença. “Minha mulher e meu filho foram maltratados em pontos comerciais da cidade. Ela foi em um comércio de Regeneração e quase chamaram a polícia alegando que na casa dela havia uma pessoa com coronavírus. O meu filho foi a uma padaria e todos estavam usando máscaras, menos o dono (atendente), quando chegou a vez do meu filho ser atendido, rapidamente o atendente colocou a máscara por medo de ser contaminado porque sabia que se tratava do meu filho. As pessoas agem como se elas fossem inatingíveis”, pontuou ao dizer que “o dono do estabelecimento colocou a sacola com os pães em cima do balcão para não entregar nas mãos do seu filho”.

Em áudio, o morador foi vítima da mais dura forma de preconceito durante todo o período. Ele assegura que vai mover uma ação contra os donos de um comercio. “Eu fiz uma compra e o dono do estabelecimento disse em áudio que não iria fazer a entrega enquanto o coronavírus não saísse da minha casa, e isso é grave! Estou com a gravação. Meu filho perguntou se havia provas, e foi dito no áudio que a cidade inteira sabia, e isso é uma informação caluniosa”

Ele afirmou ao Somos Notícia que sofreu muito e que, mesmo depois de curado, passou dias difíceis, apesar de a família não estar infectada com o novo coronavírus.

O morador falou ainda que viaja constantemente e que, apesar de ter sido contaminado, nada sentiu porque seu organismo é muito forte e que sua imunidade é muito boa. Ele diz ainda que seguiu todas as medidas de segurança para evitar a proliferação do vírus. O regenerense cita com muito orgulho o seu médico Nonato – de Água Branca, que lhe deu todo o apoio necessário, tanto psicológico quanto nas prescrições da medicação que usou para ficar curado da doença. O morador se curou em casa sem precisar de internação hospitalar.

“O médico, Dr. Nonato, é uma pessoa meiga, de sensibilidade, tem humildade, um excelente médico e me ajudou quando eu mais precisei”, falou.

Ele faz ainda um apelo para que os profissionais de Saúde do hospital de Regeneração tenham mais postura ética, pois ele diz que lá foi também alvo de preconceito, a partir de uma consulta realizada quando estava com febre provocada pelas dores constantes de cálculo renal. Ele diz que foi tratado com discriminação pelos profissionais da instituição de saúde.

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