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Justiça do Rio inicia audiências do caso do menino João Pedro

A primeira audiência de instrução do processo judicial que apura as circunstâncias da morte de João Pedro Mattos Pinto foi realizada nesta segunda-feira (5). O adolescente de 14 anos foi baleado com um tiro de fuzil durante uma operação das polícias civil e federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 18 de maio de 2020.

A casa onde ele brincava com primos e amigos foi invadida por policiais, que entraram atirando, e ficou marcada com 72 tiros após a operação. Ferido, João Pedro foi levado de helicóptero pelos policiais e a família só teve notícias sobre o paradeiro do corpo no dia seguinte. Os agentes cumpriam mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes de uma facção criminosa.

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Os policiais civis  Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister, todos lotados na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foram indiciados pela Polícia Civil   em junho do ano passado. Em fevereiro, a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e os tornou réus por homicídio duplamente qualificado.

Depoimentos

A juíza Juliana Grillo El-Jaick, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, ouviu oito testemunhas na tarde de ontem. A primeira foi a perita do Ministério Público Maria do Carmo Gargaglione, responsável pelo relatório técnico da reprodução simulada do caso. Ela explicou que foi utilizado um scanner de última geração, único no Brasil.

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“O scanner fez uma fotografia com precisão de todos os ambientes da casa e seu entorno. Junto com os depoimentos de quem estava na casa, fizemos um cruzamento de informações. Havia uma concentração grande de marcas de bala em um cômodo da casa”, explicou.

O pai de João Pedro, Neilton da Costa Pinto, relatou que estava no trabalho, em um quiosque, quando soube do tiroteio. 

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“Cheguei no local e encontrei cinco jovens na calçada. Perguntei onde estava o João Pedro e meu sobrinho respondeu que ele tinha sido baleado pela polícia. Só fui saber o que tinha acontecido com meu filho no dia seguinte, quando soube que o corpo dele estava no IML [Instituto Médico Legal]”, contou.

Também foram ouvidos cinco adolescentes que estavam com João Pedro e a dona da casa onde o crime foi cometido. A continuação da audiência foi marcada para o dia 16 de novembro.

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Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Geral

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Denison Duarte
Escrito por

Editor-Chefe do Somos Notícia. Jornalista formado pela Faculdade Estácio Ceut (2016), atua na cobertura de eventos no Médio Parnaíba desde 2008. Especialista em jornalismo local com foco em transparência e ética.