O cantor espanhol Julio Iglesias classificou, nesta sexta-feira (16), como “absolutamente falsas” as acusações de assédio sexual e tráfico humano feitas por duas ex-funcionárias. As denúncias vieram à tona após investigação da Univision e elDiario.es.
O escândalo foi revelado na terça-feira, quando a emissora americana Univision e o jornal espanhol elDiario.es publicaram uma investigação. As acusações partiram de uma ex-empregada doméstica e de uma ex-fisioterapeuta do artista, conhecido por ser o cantor de língua latina com mais discos vendidos no mundo.
As mulheres relataram maus-tratos e assédio sexual. Os supostos abusos teriam ocorrido em 2021 nas mansões do cantor na República Dominicana e nas Bahamas, quando as denunciantes tinham 22 e 28 anos.
Em sua primeira manifestação direta, o cantor de 82 anos publicou no Instagram: “Com profundo pesar, respondo às acusações feitas por duas pessoas que trabalharam em minha casa”. Ele acrescentou: “Nego ter abusado, coagido ou desrespeitado qualquer Mulher. Essas acusações são absolutamente falsas e me causam grande tristeza”.
Investigação sobre acusações de assédio sexual contra Julio Iglesias
Iglesias afirmou: “Nunca senti tamanha maldade, mas ainda tenho forças para contar toda a verdade e defender minha dignidade diante de uma ofensa tão grave”. A mensagem finalizou com sua assinatura e agradecimentos às “tantas e tantas pessoas queridíssimas” que enviaram “mensagens de carinho”.
Organizações como Anistia Internacional e Women’s Link, que apoiam as denunciantes, informaram que o Ministério Público espanhol foi notificado em 5 de janeiro. A denúncia aponta para “eventos que poderiam configurar o crime de tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado e servidão”, além de “crimes contra a liberdade e integridade sexuais, como assédio sexual”, e agressão.
O Ministério Público espanhol analisa as denúncias em fase pré-processual e colherá depoimentos das duas mulheres como testemunhas protegidas, conforme as organizações. A legislação espanhola permite que o caso seja processado lá, mesmo que os eventos tenham ocorrido em outros países.
Segundo as organizações, “Laura e Rebeca [nomes fictícios das vítimas] teriam sofrido múltiplas e distintas formas de violência —sexual, psicológica, física e financeira— por parte de Julio Iglesias entre janeiro e outubro de 2021”. Elas relataram agressões, assédio sexual, verificação de celulares, proibição de sair da casa e jornadas de trabalho de até 16 horas diárias, sem folgas ou contrato.
Repercussão e carreira do artista
A notícia gerou reações na Espanha, onde Julio Iglesias é figura pública por sua carreira e vida pessoal. Membros do governo consideram retirar sua Medalha de Ouro de Mérito em Belas Artes. A ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, declarou na televisão pública que as informações “dão terror, dão pânico”.
Nascido em 1943, Julio Iglesias alcançou fama com canções como “Soy un Truhán, Soy un Señor”. Com reconhecimento internacional, especialmente na Espanha e América Latina, sua carreira decolou na década de 1970. Pai de oito filhos reconhecidos de dois casamentos, Iglesias sempre teve a imagem de “sedutor”.
Um de seus ex-empresários, Fernán Martínez, descreveu-o como um homem “carinhoso” e “muito físico”, mas afirmou à rede Telecinco que “nunca” o viu exibir “o tipo de comportamento agressivo” noticiado. Iglesias compartilha a vida há décadas com a ex-modelo holandesa Miranda Rijnsburger, mãe de seus cinco filhos mais novos.
Julio Iglesias, 82, nega ‘absolutamente falsas’ as acusações de assédio sexual e tráfico humano.

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