O senador Flávio Bolsonaro confrontou nesta sexta-feira, 29 de maio, o presidente Lula sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas — medida que o chefe do Executivo federal havia criticado como ataque à soberania brasileira. O embate acirrou o debate político nacional em torno da classificação de facções como terroristas e do papel do governo brasileiro no enfrentamento ao crime organizado.
A classificação de facções como terroristas e a reação de Lula
O governo americano anunciou, na quinta-feira, 28 de maio, que o PCC e o Comando Vermelho passariam a ser formalmente tratados como organizações terroristas. A decisão provocou reação imediata do presidente Lula, que a descreveu como uma interferência na soberania do país. Em discurso, Lula chegou a se referir às facções como “nossos criminosos” e afirmou que “o Brasil tem também enfrentado as facções criminosas internamente”, acrescentando que “os brasileiros não vão ser tratados como um Leéx e nem o Brasil vai aceitar ser tratado como uma república.”
Flávio Bolsonaro, que participou na véspera de um evento no Paraná relacionado à pré-candidatura de Sérgio Moro, publicou um vídeo em rede social respondendo às declarações do presidente. Para o senador, a soberania que importa é a do povo, não a do governo. “A soberania que a gente defende é a soberania do povo brasileiro. É a soberania das pessoas, das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio desses narcoterroristas. Um governo paralelo impondo violência, covardia, medo. O povo brasileiro não aguenta mais viver com medo por causa desse tipo de gente”, declarou.
Acusações cruzadas e o debate sobre o encontro com Trump
Flávio Bolsonaro foi além e atacou diretamente a postura de Lula em uma visita aos Estados Unidos realizada cerca de três semanas antes. Segundo o senador, o presidente teria agido para impedir a classificação das facções. “Lula, quando foi visitar Trump nos Estados Unidos, ele foi lá fazer lobby para que o Comando Vermelho e o PCC não fossem classificados como terroristas”, afirmou. O parlamentar também disse que “Lula teria ido defender marginais.”
O Governo Federal não respondeu publicamente às acusações até o fechamento desta edição.
Comentaristas divergem sobre os posicionamentos
O debate repercutiu entre analistas políticos da TV Jovem Pan. A comentarista Mônica Rosenberg criticou tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, mas reservou críticas mais duras ao senador. Para ela, “o topo da escala é o presidente Lula, né? Passando vergonha aí falando dos nossos bandidos, falando em ameaça à soberania nacional, tem gente falando em implantação de bases militares americanas aqui no Brasil ou de que a intenção é acabar com o PIX.” Rosenberg pontuou ainda que “a maior ameaça é o crime organizado, é quem realmente está ameaçando a nossa soberania.”
Sobre Flávio Bolsonaro, a comentarista foi direta: “Flávio Bolsonaro, que é candidato a presidente do Brasil, ao invés de propor soluções e de estar trazendo novas ideias, a solução que ele tem é ir aos Estados Unidos pedir pinico pro Trump, dizer: ‘Nós precisamos de ajuda porque somos incapazes de lidar internamente.'” Ela também lembrou que “o estado mais entregue ao crime organizado é justamente o estado do Rio de Janeiro, que é o estado pelo qual Flávio Bolsonaro é senador, é o estado da família Bolsonaro.”
Já o comentarista Túlio avaliou que a própria fala de Lula acabou reforçando um argumento contrário ao do presidente. Para ele, “o presidente Lula admitiu que essas facções criminosas são terroristas em relação aos territórios que ela ocupa” e que “essa classificação traz sim um efeito positivo.”
