Uma falha no sistema de controle e uma ordem equivocada do centro de tráfego colocaram dois trens de alta velocidade no mesmo trecho de via na manhã desta quarta-feira (28), na província de Toledo, na Espanha. O choque deixou ao menos 68 mortos e dezenas de feridos — e o balanço pode crescer conforme as equipes avançam nos destroços.
O acidente envolveu composições de duas operadoras: a estatal Renfe, com 397 passageiros a bordo, e a privada Iryo, que transportava 147 pessoas. A colisão aconteceu às 8h54 (horário local) no trecho entre Mora e Orgaz, nas proximidades de Urda e Los Yébenes.
Como o acidente de trens em Toledo, Espanha, aconteceu
Uma pane nos sistemas informáticos havia parado automaticamente seis trens em um trecho de 63 quilômetros da linha, com sinal de parada obrigatória ativo. O trem da Iryo estava parado na via. Mesmo assim, o centro de controle de tráfego autorizou o trem da Renfe a retomar a marcha — sem restrição de velocidade.
A composição da Renfe percorreu cerca de 25 quilômetros antes de atingir a traseira do trem da Iryo. A velocidade no momento do impacto pode ter chegado a 200 km/h.
O ministro dos Transportes da Espanha, Oscar Puente, classificou a decisão do centro de controle como “inexplicável e inacreditável” e disse que havia tempo suficiente para corrigir o erro antes da colisão.
Relatos do local
Passageiros descreveram o impacto. Miguel, que viajava no último vagão de uma das composições, relatou ter ouvido um “estrondo enorme que durou 10 segundos, como se o trem estivesse prestes a descarrilar”. Eduarda, passageira do trem da Iryo, descreveu “pânico e cenas catastróficas com vítimas presas sob os vagões”.
O prefeito de Los Yébenes, Jesús Pérez Martín, esteve no local e classificou a situação como “horrível”.
Resgate e resposta das autoridades
O governo de Castilla-La Mancha acionou o Plano Territorial de Emergência da região. Guarda Civil, bombeiros, a Unidade Militar de Emergências e helicópteros sanitários foram ao local. A Cruz Vermelha montou um ponto de apoio em um ginásio poliesportivo em Urda para acolher feridos.
A ministra da Saúde, Mónica García, pediu doações urgentes de sangue diante da demanda nos hospitais da região.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez foi ao centro de emergência próximo ao local do acidente e decretou luto oficial de três dias em todo o país. Os principais partidos políticos, incluindo o Partido Socialista e o Partido Popular, suspenderam suas agendas de campanha para as eleições gerais de 29 de novembro.
É o segundo acidente fatal com trens de alta velocidade na Espanha em menos de um ano — o primeiro ocorreu em Adamuz, em janeiro de 2026.

