Benito Di Paula, cantor, compositor e pianista que criou o estilo conhecido como samba-joia, morreu ontem, domingo (18), aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. A causa foi uma complicação de câncer de próstata contra o qual lutava há cerca de um ano. A morte em São Paulo encerra uma trajetória de mais de cinco décadas na música popular brasileira.
O velório será aberto ao público amanhã, terça-feira (20), das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, no Centro Histórico. O sepultamento acontece no mesmo dia, às 17h, no Cemitério Morumby, com acesso restrito à família.
Quem foi Benito Di Paula: do morro da Formiga ao samba-joia
Nascido em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, Uday Vellozo — nome de batismo do artista — cresceu na capital fluminense. Jovem, foi trabalhar como crooner em boates do Rio e de São Paulo. Uma temporada em Santos, no litoral paulista, foi decisiva para consolidar sua presença no estado.
Estreou no mercado fonográfico em 1967. O primeiro álbum solo saiu em 1971. Dois anos depois, em 1973, veio o ponto de inflexão: o lançamento de Retalhos de Cetim, uma das composições mais regravadas da música brasileira. A partir daí, os discos se sucederam em ritmo acelerado até meados dos anos 1970.
O piano percussivo misturado ao balanço do samba-canção, com influências de jazz e bolero, ganhou o rótulo de samba-joia. Benito preferia se definir de outro jeito. Eu nunca estive na mídia, quem esteve na mídia foi a minha música, disse o artista em vida.
A visão que tinha de si mesmo e de seu público aparecia com mais força em outra declaração: O que é popular e vai para a rádio hoje não é bom? Não, o rádio não toca nada. Mas sou anarquista. Cada um tem o direito de ir e vir, reclamar, xingar… O povo é carente de cultura, menina. Eu sou o povo, graças a Deus. Morei no morro da Formiga, na favela, nas bocas de Santos. Meu diploma é da vida.
Ao longo da carreira, lançou dezenas de discos com vendas estimadas em dezenas de milhões de cópias. Apresentou o programa Brasil Som 75 na TV Tupi e ganhou o Troféu Imprensa de Melhor Cantor em 1976. Em 2021, aos 80 anos, lançou o álbum de inéditas O Infalível Zen, em parceria com o filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro o homenageou com o enredo Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer, no Carnaval paulistano.
Rodrigo Vellozo prestou homenagem ao pai nas redes sociais com três palavras: Te amo, papai. Obrigado.
Veja os principais sucessos de Benito Di Paula:
- Canção para o nosso amor (1969)
- Violão não se empresta a ninguém (1972)
- Retalhos de Cetim (1973)
- Charlie Brown (1974)
- Beleza que é você mulher (1974)
- Bandeira do samba (1975)
- Vai ficar na saudade (1975)
- Do jeito que a vida quer (1976)
- Tudo está no seu lugar (1976)
- Ah! Como eu amei (1981)
- Amigo do sol, amigo da lua (1984)

