O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as estimativas de crescimento do PIB do Brasil para os próximos dois anos, apontando a política monetária restritiva e o recuo nos estímulos fiscais como os principais entraves à expansão da economia. O relatório foi divulgado na última terça-feira (13) em Bangcoc, na Tailândia, durante a reunião anual do organismo.
Segundo o FMI, o PIB brasileiro deve crescer 2,2% em 2026 e recuar para 1,9% em 2027 — desempenho abaixo do registrado em 2025, quando a economia avançou 2,3%. O organismo atribui a perda de ritmo a um conjunto de fatores: condições monetárias ainda voltadas para trazer a inflação à meta, menor impulso do lado fiscal e incertezas no cenário global.
Em suas próprias palavras, o FMI afirmou que o quadro de desaceleração reflete “condições monetárias ainda restritivas — voltadas para o retorno da inflação à meta —, a retirada de estímulos da política fiscal e a incerteza global”.
As projeções do FMI divergem das de outras fontes. Veja o comparativo:
| Indicador | Fonte | 2026 | 2027 |
|---|---|---|---|
| PIB (%) | FMI | 2,2% | 1,9% |
| PIB (%) | Ministério da Fazenda | 2% | 2,3% |
| PIB (%) | Boletim Focus | 1,85% | 1,4% |
| Inflação (%) | FMI | 4,4% | 4,1% |
| Inflação (%) | Ministério da Fazenda | 4,9% | não informado |
| Inflação (%) | Boletim Focus | 5,01% a 5,22% | não informado |
| Desemprego (%) | FMI | 6,2% | 6,8% |
O Banco Central vem promovendo cortes na taxa Selic desde março de 2025, e a taxa chegou a 13,75% ao ano. Mesmo assim, o nível ainda é considerado contracionista pelo mercado.
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o quadro fiscal é o nó mais difícil de desatar. Ele avalia que o cenário de contas públicas deve ser a “maior pedra no sapato do novo governo” e que “algum ajuste fiscal será inevitável”, com “efeito contracionista sobre a atividade econômica”.
No campo da inflação, o FMI projeta 4,4% para 2026 e 4,1% para 2027. O desemprego, segundo o organismo, deve ficar em 6,2% no próximo ano e subir para 6,8% em 2027.
O relatório não traz só más notícias para o Brasil. Projeção da plataforma InfoMoney, com base nos dados do FMI, indica que o país pode alcançar a 8ª posição entre as maiores economias do mundo em 2027, ultrapassando Itália e Rússia.
No cenário global, o FMI elevou a previsão de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026, com o preço médio do petróleo estimado em US$ 96 por barril. A economista-chefe do organismo, Silvana Tenreyro, ponderou que “a economia mundial demonstrou capacidade de resistência, mas essa resiliência está sendo colocada à prova, e os riscos continuam apontando para uma piora do cenário”.
