Um sensor instalado no bairro Primavera, em Teresina, registrou mais de 45°C no dia 7 de outubro. O dado veio de uma rede hiperlocal de seis equipamentos que a Prefeitura da capital piauiense mantém em operação para acompanhar as variações climáticas no território urbano — e que, segundo o coordenador da Agenda 2030 do município, Leonardo Madeira, está orientando decisões de arborização e saúde pública.
O calor em Teresina no mês de outubro chegou a ultrapassar os 40°C, com umidade relativa do ar em torno de 20%. Cada sensor cobre um raio de aproximadamente 3 quilômetros e registra medições a cada 15 minutos. Os picos ocorrem entre 14h e 15h.
Como funciona o monitoramento do calor em Teresina
Os sensores foram instalados a partir de abril, em parceria com o Google. Além da temperatura, cada equipamento mede outros quatro parâmetros:
- Temperatura
- Umidade
- Dióxido de carbono
- Material particulado
- Orgânicos voláteis
A Prefeitura consolida os dados mensalmente em relatórios que, segundo Madeira, direcionam ações do poder público. A diferença de temperatura entre as zonas da cidade pode chegar a 2 ou 3 graus Celsius — e nem sempre a área mais verticalizada é a mais quente. “A Santa Maria da Codipi em alguns momentos consegue superar essa região mais verticalizada, por incrível que pareça”, disse o coordenador.
As regiões com temperaturas mais altas registradas pela rede são:
- Bairro Primavera
- Centro-Norte
- Aeroporto
- Zona Leste (verticalizada)
- Santa Maria da Codipi
- Centro
- Zona Sul
Madeira confirmou o registro extremo: “nós identificamos sim essa temperatura de 45º ali na região do bairro Primavera”. O número supera os 41,5°C que o Instituto Nacional de Meteorologia costuma registrar para a cidade.
Para o coordenador, o problema vai além dos picos. “O que mais nos preocupa é não somente o pico, mas a permanência em altas temperaturas por um longo período de tempo. Isso nos preocupa porque as pessoas estão expostas”, afirmou.
Queima de lixo piora a qualidade do ar à noite
Os sensores também detectaram impacto na qualidade do ar causado pela queima irregular de resíduos sólidos. Segundo Madeira, o problema se concentra no período noturno: “a queima, né, que é feita em Teresina de resíduos sólidos indiscriminadamente acontece majoritariamente no período da noite.”
Com base nos dados coletados, a Prefeitura elaborou recomendações para quem pratica exercícios físicos ao ar livre. “O relatório mostra uma janela térmica de segurança para atividade física de média alta intensidade, que seria de 5 às 7 da manhã”, detalhou Madeira. Já os picos diários, segundo ele, “em sua grande maioria, se dão entre 14 e 15 horas.”
A Prefeitura também busca recursos para implementar soluções em territórios específicos identificados pela rede. Madeira sinalizou a intenção de ampliar o sistema: “O nosso desejo no futuro é que a gente coloque uma lente ainda maior sobre Teresina. Quem sabe no futuro não tenhamos mais sensores.”
