Valdemir Virgino, vereador de Teresina, foi preso ontem, sábado (3), dentro de uma clínica na capital piauiense, com pacotes de dinheiro e anotações de eleitores. A Polícia Federal chegou ao local após denúncias de que valores em espécie estavam sendo distribuídos em troca de apoio político na véspera da eleição. Ao todo, 18 pessoas foram detidas na operação.
Vereador Valdemir Virgino preso em Teresina: como a PF chegou à clínica
Agentes federais monitoravam o endereço quando perceberam a saída constante de pessoas carregando sacolas plásticas. Ao abordar alguns deles do lado de fora, os policiais encontraram envelopes com cédulas e material de propaganda eleitoral. Com base nisso, a equipe entrou no prédio.
Dentro da clínica, o vereador foi encontrado com pacotes de dinheiro e listas detalhadas com nomes e contatos de eleitores. R$ 15,2 mil estavam na bolsa dele. Com as pessoas abordadas na saída, havia outros R$ 12 mil. O valor total apreendido nas diligências variou entre R$ 42,7 mil e R$ 43,7 mil, segundo a Polícia Federal.
Além do dinheiro, foram confiscados materiais de campanha, documentos e listas de eleitores.
Questionado no local, o vereador disse que “estava apenas no local, pois iria almoçar com Renato Vieira”. Já Renato Vieira, apontado como coordenador das atividades na clínica, alegou que “o dinheiro era referente ao pagamento de pessoas que trabalharam na campanha eleitoral dos candidatos”.
Parte das pessoas encontradas no interior do imóvel afirmou que “estavam esperando atendimento médico”. A versão não se sustentou: os agentes constataram que nenhum profissional de saúde prestava atendimento no momento e que os presentes não conseguiam informar a especialidade das consultas que supostamente aguardavam.
Dois presos, 16 liberados sob fiança
Os 18 detidos foram levados à sede da Polícia Federal em Teresina. Valdemir Virgino e Renato Vieira foram autuados por corrupção eleitoral e associação criminosa e permaneceram presos. As outras 16 pessoas também foram autuadas por corrupção eleitoral, mas pagaram fiança e foram liberadas.
O vereador foi encaminhado para audiência de custódia na Central de Inquéritos de Teresina, no Primeiro Juízo de Garantias do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí.
Na manhã deste domingo (4), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à vereadora Draga Alana — residência, sítio e casa da mãe. Nenhum material ilícito foi encontrado nesses locais.
A Polícia Federal informou que “os materiais apreendidos serão analisados, e as investigações prosseguem para esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades”.
