A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, convidou os Estados Unidos a colaborar em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado neste domingo (4). O comunicado foi divulgado após uma operação militar norte-americana capturar o ex-presidente Nicolás Maduro em Caracas no sábado (3). A ação dos EUA gerou tensões e ameaças de retaliação.
Em publicação no Instagram, Rodríguez escreveu que a Venezuela prioriza “a construção de relações internacionais equilibradas e respeitosas entre os Estados Unidos e a Venezuela e entre a Venezuela e outros países da região, baseadas na igualdade soberana e na não interferência”.
O convite ocorre um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar Rodríguez com possíveis retaliações. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, declarou Trump.
Maduro está detido em Nova York. Ele foi capturado em uma operação militar dos EUA em Caracas, no sábado (3).
Venezuela propõe diálogo aos Estados Unidos
Rodríguez liderou uma reunião do Conselho de Ministros no Palácio de Miraflores, em Caracas, no domingo (4). O objetivo do encontro foi “garantir a paz e a soberania do país”.
O comunicado de Rodríguez reafirma o compromisso da Venezuela com a paz e a coexistência pacífica. O texto destaca que o país “aspira a viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional”.
A presidente interina convidou o governo dos EUA a colaborar “dentro da estrutura do direito internacional, para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”. Ela também afirmou que “nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”.
Operação militar dos EUA captura Maduro
Donald Trump anunciou a operação militar no sábado (3), em seu perfil na rede Truth Social. O presidente dos EUA afirmou que o país realizou a ação contra a Venezuela e capturou Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite de sexta-feira (2). A operação ocorreu na madrugada de sábado (3).
Houve ataques a quatro alvos no país com 150 caças e bombardeios. As aeronaves decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos. Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Questionamentos surgiram sobre a legalidade da operação. Os EUA realizaram a ação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Trump disse que a aprovação é desnecessária.
Há também dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Autoridades venezuelanas não divulgaram números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação. Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA.
Administração temporária e reações venezuelanas
No início da tarde de sábado (3), Trump afirmou a jornalistas que os EUA assumiriam temporariamente a administração do país. Ele não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deve ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3), Rodríguez contestou as declarações de Trump. Ela classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A presidente interina também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump. A condição é que a relação seja baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse Rodríguez.
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, propõe diálogo e cooperação aos EUA após a captura de Maduro.
Com informações do Poder360
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