O vendedor ambulante Osmar Sousa Figueiredo foi preso por engano em Araguaína (TO) por um mês, entre 11 de dezembro de 2025 e 10 de janeiro de 2026, após a Justiça de Goiás confundi-lo com um suspeito de homicídio. O homem tenta agora reconstruir a vida e a imagem, que considera ter sido prejudicada pelo ocorrido.
Osmar Sousa Figueiredo relatou à TV Anhanguera que busca “botar a mente no lugar” e restabelecer sua rotina de trabalho com vendas nas ruas. Ele afirmou que sua imagem ficou “suja” e que o retorno às atividades tem sido difícil, apesar de ser conhecido pelos moradores da cidade.
Vendedor preso por engano em Araguaína tenta retomar a vida
O advogado de Osmar, Fabrício Martins, explicou que um criminoso utilizou os dados pessoais do vendedor ao se apresentar à Polícia Civil em Rio Verde (GO). Por essa razão, o mandado de prisão foi emitido no nome de Osmar no final de 2019.
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) informou que determinou o arquivamento do processo de exceção de ilegitimidade. A prisão preventiva foi revogada, e diligências para identificar o verdadeiro acusado foram deferidas.
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) esclareceu que não realiza novas investigações sobre pessoas procuradas pela Justiça de outro estado. O procedimento legal consiste em cumprir o mandado e comunicar a autoridade competente.
O g1 solicitou posicionamento à Secretaria de Segurança Pública de Goiás, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.
Entenda o erro que levou à prisão
Osmar, natural de Araguaína, afirmou que nunca esteve em Goiânia (GO), cidade onde o homicídio ocorreu. Ele foi detido em sua residência em Araguaína no dia 11 de dezembro de 2025, logo após chegar do trabalho.
“Tinha acabado de chegar de mais um dia de rotina, do meu trabalho, quando bateram no portão. A viatura já estava atrás desse outro carro. Aí falaram que eu estava preso e eu sem entender por que eu estava indo preso, porque não me falaram. Nunca tinha sido preso na minha vida. Como é que não fica assustado? A pessoa assusta bastante. Aí me levaram para a delegacia civil e, de lá, me levaram para a CPPA [Casa de Prisão Provisória de Araguaína]”, contou Osmar.
Após 30 dias de privação de liberdade, Osmar foi solto em 10 de janeiro de 2026. Ele busca agora reparação pelo equívoco judicial.
Busca por justiça e reparação
Osmar expressou sua dificuldade em compreender a situação. “Não tenho como explicar como está a minha mente. O que eu passei nesses 30 dias lá dentro, só eu sei. Agora a pessoa que fez a coisa está em liberdade? É muito complicado a pessoa engolir essa coisa da justiça, né? Mas eu estou aguardando o que a justiça vai fazer agora”, disse.
Para o advogado Fabrício Martins, o ocorrido com seu cliente configura um “erro grotesco” que resultou em uma situação humilhante. “O Osmar, ele suportou o degradante, o humilhante, o aviltante sistema carcerário brasileiro. Um sistema que acaba com o ser humano. E o seu Osmar, ele está mal psicologicamente. Ele para sempre vai lembrar desse momento na vida dele e as pessoas vão lembrar disso na vida dele. E evidentemente vai ter sempre aqueles que não vão acreditar no Osmar. Quando eu analisei, eu demorei cair a ficha de que cometeram um erro tão grotesco”, afirmou Martins.
“Em primeiro lugar, botar a mente no lugar, que não está no lugar ainda. Restabelecer de novo minha área de trabalho, com venda nas ruas. Minha imagem está suja, né? Vai ser um pouco difícil para mim retornar minha rotina de trabalho. Ainda bem que eu sou um pouco conhecido na cidade, o pessoal sabe que realmente eu não cometi esse fato que aconteceu, mas a rotina não tá sendo fácil, não”, contou em entrevista à TV Anhanguera.
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) reiterou que a Polícia Civil do Tocantins cumpre mandados de prisão de outros estados e comunica a autoridade responsável. Eventuais inconsistências nos dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão devem ser tratadas diretamente com o órgão que cadastrou o mandado.
Osmar Sousa Figueiredo, vendedor ambulante preso por engano em Araguaína, busca reconstruir sua vida e imagem.
Com informações do g1
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