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Tufão Bavi força evacuação de quase 2 milhões na China e deixa rastro de destruição na Ásia

Com ventos de até 145 km/h, o tufão Bavi chegou à costa de Zhejiang na noite de sábado e forçou a saída de quase 2 milhões de pessoas.

Quase 2 milhões de pessoas deixaram suas casas na China depois que o tufão Bavi chegou à costa leste do país na noite de sábado (11), com ventos de até 145 km/h. A maior parte dos deslocados — mais de 1,7 milhão — saiu da província de Zhejiang, onde a tempestade tocou o continente.

Tufão Bavi na China: evacuação em massa e alerta máximo

O governo de Wenzhou, uma das cidades mais afetadas, justificou a mobilização em comunicado: “Essa mobilização maciça e sem limites, que não poupa esforços nem custos, tem como único objetivo evitar o pior cenário possível.”

Antes de chegar à China, o Bavi passou pelo sul do Japão e pelo norte de Taiwan, onde provocou evacuações, cancelamentos de voos e interrupções no fornecimento de energia. A Japan Airlines e a All Nippon Airways suspenderam rotas durante a passagem da tempestade pelo Japão, no dia anterior.

Em Taiwan, o Ministro do Interior, Liu Shyh-fang, pediu aos governos locais que garantissem a segurança dos evacuados e impedissem o retorno de moradores a áreas sob risco de deslizamento. Segundo ele, o volume de chuva previsto para os dias seguintes poderia gerar riscos adicionais. Nas ruas de Taiwan, o impacto era visível. Tsai, proprietária de um restaurante de café da manhã, relatou o clima de tensão: “Todo mundo tem medo do mau tempo e fica em casa. Eu só saí porque tenho pedidos.”

Nas Filipinas, a passagem do sistema intensificou as monções e deixou entre 17 e 18 mortos.

O meteorologista Jason Chang, da Administração Central de Clima de Taiwan, observou que tempestades desse porte têm sido “bastante raras nos últimos anos”. Jason Nicholls, especialista do AccuWeather, havia alertado antes do landfall que, apesar de alguma perda de intensidade prevista, o Bavi continuaria sendo “uma tempestade perigosa, pois afetará Taiwan e o leste da China de sexta a segunda-feira”.

Em Zhejiang, as autoridades locais agiram antes da chegada do tufão. Huang Tao, funcionário do centro de gestão de rios e lagos do escritório de recursos hídricos de Fenghua, confirmou: “Fizemos a descarga preventiva de água em todas as principais comportas de controle de enchentes do distrito e conseguimos deixar o rio em nível baixo.”

O Bavi não chegou sozinho. Semanas antes, o tufão Maysak havia varrido a ilha de Hainan e entrado na Região Autônoma de Guangxi, causando enchentes severas, 39 mortos e 9 desaparecidos. Os resquícios do Maysak ainda geraram ao menos dois tornados no interior da China, que atingiram a província de Hubei em 6 de julho e deixaram 11 mortos e centenas de feridos. Um deslizamento de terra em Gansu acrescentou 21 vítimas ao balanço da temporada.

Para Hui Su, professor titular do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, os dados apontam para uma temporada fora do comum: “Os graves impactos do Maysak e a ameaça iminente do supertufão Bavi indicam que a temporada de 2026 está sendo mais intensa e destrutiva do que em um ano típico.” O professor também associa o fenômeno a fatores climáticos mais amplos: “O El Niño está deslocando as trajetórias dos tufões para oeste, em direção à costa da China, e aumentando os riscos, enquanto as mudanças climáticas tornam as tempestades mais chuvosas e mais destrutivas.”

Benjamin Horton, reitor da Faculdade de Energia e Meio Ambiente da City University of Hong Kong, foi direto: “O problema com esses eventos é que eles só estão aumentando.”

Tufão bavi evacua milhões na china: Porto chinês afetado pela passagem do tufão Bavi
Área portuária na costa leste da China sob forte chuva e céu nublado.

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