Padre Marcos

Mulher de Padre Marcos-PI é resgatada após 55 anos em trabalho escravo em condomínio de luxo

Mulher de 62 anos, natural de Padre Marcos (PI), foi resgatada em Fortaleza após 55 anos de trabalho sem salário para a mesma família.

Aos 7 anos, ela foi levada para trabalhar na casa de uma família em Fortaleza. Cinquenta e cinco anos depois, uma mulher de 62 anos, natural de Padre Marcos, no Piauí, foi resgatada de uma situação de trabalho escravo — sem salário, sem direitos, por mais de cinco décadas. A operação ocorreu em um condomínio de luxo na capital cearense e envolveu o Ministério Público do Trabalho no Ceará, a Polícia Federal, a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará e auditores fiscais do trabalho.

Trabalho escravo em Padre Marcos: o que os auditores encontraram

A Auditoria-Fiscal do Trabalho concluiu que a mulher viveu mais de cinco décadas em uma relação marcada pela ausência de qualquer remuneração. As tarefas incluíam cuidar de crianças, preparar refeições e fazer a limpeza da casa — tudo sem contrato, sem registro e sem pagamento. Os fatores identificados pelos auditores configuraram, em tese, trabalho em condição análoga à escravidão.

A Secretaria de Inspeção do Trabalho constatou ainda que a trabalhadora estava inscrita no Cadastro Único e recebia benefício do Bolsa Família — o que, na prática, era sua única fonte de renda ao longo de todos esses anos.

A história atravessou três gerações da mesma família. Em 1971, ainda criança, ela chegou à casa da empregadora. Em 1982, foi transferida para a residência da filha da patroa. Em 2014, passou a trabalhar para a neta. Uma empregadora chegou a alegar, segundo o processo, que a trabalhadora havia sido “dada pela mãe”.

Creditos trabalhistas estimados em mais de R$ 1,5 milhão

Os créditos trabalhistas devidos à vítima ultrapassam R$ 1,5 milhão, segundo estimativa da Auditoria-Fiscal do Trabalho. Para encerrar o caso na esfera administrativa, o Ministério Público do Trabalho no Ceará firmou um Termo de Ajuste de Conduta com os investigados: Paulo Martins Brasil, Aurora Dalva Bastos de Alencar Brasil, Paulo Martins Brasil Filho, Zaamarah Alencar Brasil Andrade, Tiago Silva Andrade e Nayarah Alencar Brasil Magalhães.

Pelo acordo, os investigados assumiram obrigações que incluem a regularização previdenciária da trabalhadora, o pagamento de verbas rescisórias no valor de R$ 50 mil, a aquisição de um imóvel residencial avaliado em no mínimo R$ 150 mil e uma complementação financeira de R$ 12 mil caso ela não consiga se aposentar. O acordo, porém, não representa a quitação integral dos direitos reconhecidos.

A defesa da família nega as acusações de submissão da trabalhadora a condições análogas à escravidão.

Piauiense resgatada em condomínio de luxo: Auditores do Trabalho em condomínio de luxo de Fortaleza
Auditores Fiscais do Trabalho na entrada do condomínio de luxo em Fortaleza (CE), onde mulher de Padre Marcos foi resgatada de trabalho análogo à escravidão.

Com informações do Piaui Hoje.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *