O México discute um projeto para captar e dessalinizar água do Oceano Pacífico, bombeando-a por centenas de quilômetros sobre cadeias montanhosas. A medida busca atender regiões agrícolas em colapso hídrico nos estados de Baja California e Sonora, devido à crise estrutural de água e à dependência do Rio Colorado.
A proposta, que parece uma solução de engenharia de grande escala, ganha força diante dos níveis críticos dos reservatórios do Rio Colorado na última década. Aquíferos superexplorados e chuvas irregulares colocam em xeque a sustentabilidade de polos agrícolas inteiros.
A dessalinização do Pacífico, antes uma ideia marginal, agora é considerada uma “última alternativa”. Estudos técnicos e debates institucionais avaliam a viabilidade da iniciativa para o norte mexicano.
México avalia dessalinizar Pacífico para suprir agricultura
Baja California e Sonora concentram áreas agrícolas produtivas, com forte dependência de irrigação contínua. A produção foi construída sobre um equilíbrio hídrico que não existe mais, segundo análises.
Em vários distritos de irrigação, a disponibilidade de água caiu a níveis que inviabilizam culturas intensivas. Trigo, alfafa, frutas e hortaliças destinadas à exportação são afetadas.
A redução das vazões do Rio Colorado, somada a acordos internacionais e crescimento urbano, impede que a redistribuição de água existente resolva o problema. Por isso, surgem propostas de dessalinização costeira com bombeamento de longo alcance.
Esses sistemas levariam água tratada a centenas de quilômetros do litoral, alcançando as regiões agrícolas. A Tecnologia de osmose reversa para dessalinização já é consolidada e eficiente.
Desafios da engenharia para bombear água montanha acima
O principal obstáculo do projeto mexicano começa após a produção da água tratada, com a necessidade de transportá-la por grandes distâncias e altitudes. O bombeamento em grande altitude e por longas distâncias eleva drasticamente o gasto de energia.
A iniciativa exige a construção de dutos, túneis, estações de recalque e reservatórios intermediários. Sistemas redundantes de energia e controle operacional constante são essenciais para evitar perdas.
Estudos preliminares apontam a conta elétrica como fator decisivo para a viabilidade do projeto. Para mitigar o impacto, algumas propostas incluem o uso de fontes renováveis.
Usinas solares no deserto de Sonora e parques eólicos costeiros são opções consideradas, mas os custos permanecem Altos. O custo final da água entregue ao campo pode superar o valor econômico das culturas irrigadas.
Custos e impactos ambientais do projeto hídrico
A construção exige centenas de quilômetros de adutoras de grande diâmetro. Os materiais devem resistir à corrosão, variação térmica e pressão interna constante em ambientes desafiadores.
O traçado precisa contornar áreas ambientalmente sensíveis, zonas sísmicas e regiões com solos instáveis. A operação demandaria um sistema de manutenção permanente e centros de controle em tempo integral.
A dessalinização em larga escala gera preocupações ambientais. A captação de água do mar e o descarte de salmoura concentrada podem afetar ecossistemas costeiros se não houver controle rigoroso.
No interior, a chegada de grandes volumes de água pode alterar dinâmicas de uso do solo. Isso pode incentivar expansões agrícolas pouco sustentáveis, segundo especialistas.
Há resistência social ao projeto. Comunidades questionam se o investimento bilionário não deveria ser precedido por políticas mais rigorosas de eficiência hídrica, reaproveitamento de água e mudança da matriz agrícola.
O projeto simboliza o limite físico do desenvolvimento. Ele expõe o custo real de manter modelos agrícolas intensivos em regiões áridas, em um cenário de mudanças climáticas.
Se implementado, o México se juntará a países que apostam em soluções hidráulicas extremas. Caso contrário, o ocorrido servirá como alerta técnico sobre os limites da engenharia frente às crises ambientais.
México avalia dessalinizar Pacífico e bombear água sobre montanhas para salvar agricultura em colapso hídrico.

Be First to Comment