A família da maranhense Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, conseguiu arrecadar os recursos necessários para o traslado do corpo da trabalhadora ao Brasil, após ela ser encontrada morta em Viseu, Portugal, oito meses depois de desaparecer. O sepultamento estava previsto para esta segunda-feira (4) em Portugal, mas a chegada do corpo ao Maranhão deve ocorrer na próxima semana.
Francisca foi vista pela última vez em 20 de junho do ano passado, no município de Tabuaço, quando saiu de casa para jogar lixo e não retornou. O desaparecimento foi comunicado pelo namorado, identificado como Luis, no dia seguinte. O patrão também havia percebido a ausência da trabalhadora, que atuava como cozinheira e morava em Portugal há quatro anos. Os restos mortais foram encontrados em fevereiro deste ano.
Maranhense morta em Portugal | Família recorreu a parente na Alemanha para custear o traslado
Para viabilizar a vinda do corpo ao Brasil, a família lançou mão de uma rede de solidariedade que cruzou Fronteiras. O irmão de Francisca, o artista plástico Antônio José, explicou que os recursos foram reunidos a partir de uma vaquinha organizada por uma parente residente na Alemanha, somada a doações arrecadadas no Maranhão.
“O valor que foi passado pela funerária, a gente chegou a ele com a ajuda de uma parente nossa que vive na Alemanha, que fez uma vaquinha e nós juntamos com o valor que nós arrecadamos aqui no Maranhão. Então nós conseguimos, aos trancos e barrancos, o valor para fazer o traslado, para trazer o corpo para o Brasil. Ainda não consegui falar com todo mundo, mas só tenho a agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram em tudo isso”, declarou Antônio José.
Os trâmites para o traslado tiveram início na última quinta-feira (30). O feriado do Dia do Trabalho nesta sexta-feira (1º), somado ao fim de semana, criou um obstáculo burocrático para o avanço dos procedimentos. O plano inicial era o sepultamento em Portugal nesta segunda-feira (4), mas a família optou por aguardar a chegada do corpo a São Luís e, posteriormente, a São Bernardo, no Maranhão, onde Francisca nasceu no povoado Nova Esperança.
Família critica falta de assistência do governo brasileiro e das autoridades portuguesas
Antônio José viajou a Portugal para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Judiciária e pela polícia portuguesa, que chegaram a realizar buscas na casa do companheiro de Francisca. Mas o que mais marcou o irmão foi o silêncio das instituições brasileiras durante os meses de incerteza.
“Foi um processo muito difícil, por exemplo, só ficamos sabendo que o corpo dela havia sido localizado muito tempo depois. Aqui no Maranhão, tentamos de tudo, enviei muitos e-mails, falamos com o embaixador, o Itamaraty, com políticos locais, mas ninguém conseguiu nos ajudar. Não é todo dia que morre um brasileiro lá fora nessas circunstâncias. Isso é muito revoltante”, afirmou o artista plástico.
A família relatou ao g1 que a ausência de resposta do Itamaraty e do Governo Brasileiro agravou o sofrimento durante os oito meses de espera. Francisca tinha uma viagem programada para visitar os familiares no Maranhão quando desapareceu.
Apesar das dificuldades, Antônio José demonstrou alívio com a conclusão da etapa mais complexa do processo. “O que era mais pesado era conseguir fazer o traslado do corpo de Portugal para cá, mas agora que a gente conseguiu, essa segunda parte eu acredito que seja mais fácil”, pontuou.

Com informações do G1.
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