Um homem de 68 anos, identificado como Manoel Cardoso de Brito, morreu na quarta-feira (24) de dezembro em João Pinheiro, no interior de Minas Gerais, após uma pinça cirúrgica ser esquecida em seu corpo durante um procedimento médico. A família do idoso busca responsabilização e acionou o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) para acompanhar a investigação do ocorrido.
O fato veio à tona quando o filho da vítima soube, por meio de uma rádio local que teve acesso a um exame de raio-X, que o instrumento cirúrgico havia sido deixado no corpo de seu pai após a primeira intervenção. A informação não havia sido comunicada diretamente aos familiares pela equipe médica.
Família busca justiça após morte de idoso por pinça cirúrgica esquecida
Manoel Cardoso de Brito foi inicialmente levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de João Pinheiro no início de dezembro, após sua esposa solicitar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) devido ao seu mal-estar. Exames na UPA indicaram a necessidade de uma cirurgia, e ele foi transferido para o Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, onde o procedimento foi realizado.
Após a cirurgia, a equipe médica informou ao filho que o procedimento havia transcorrido sem intercorrências, mencionando apenas uma úlcera gástrica. O idoso permaneceu dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, em seguida, foi transferido para um quarto de internação. Durante este período, o filho contratou uma cuidadora para auxiliar nos cuidados diurnos, enquanto ele assumia o turno da noite. A família relatou que Manoel apresentava dores e gemidos constantes após a cirurgia.
Cronologia dos fatos e a descoberta do objeto
Na tarde da quinta-feira (11) de dezembro, a cuidadora informou ao filho que os médicos haviam solicitado uma tomografia, sob suspeita de que Manoel pudesse ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Após o exame, o paciente retornou ao quarto, mas foi rapidamente levado de volta ao centro cirúrgico para um segundo procedimento, sem comunicação prévia ou autorização da família.
Segundo o filho, os profissionais agiram com pressa, indicando a urgência da cirurgia. Após esta segunda intervenção, a equipe médica informou que um dreno e pus haviam sido removidos da cavidade interna do paciente. Manoel foi então novamente encaminhado à UTI, onde permaneceu até o seu falecimento na quarta-feira (24) de dezembro. O sepultamento ocorreu na quinta-feira (25) de dezembro, no Cemitério Santa Helena, na cidade de Sete Lagoas.
Posicionamento das autoridades e a investigação
O advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, declarou que todos os prontuários e registros clínicos de Manoel serão requisitados ao Hospital Municipal. Ele também afirmou que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) será acionado para acompanhar e fiscalizar o processo investigativo. A família enfatiza que busca a verdade, a justiça e o respeito à memória de Manoel, além da proteção de outras vidas para que situações semelhantes não se repitam.
A Prefeitura de João Pinheiro, por meio de nota, confirmou a identificação de um “objeto estranho” no corpo do paciente, mas não especificou se era uma pinça. A administração municipal informou que adotou as medidas cabíveis e manifestou solidariedade aos familiares do idoso.
Pinça cirúrgica esquecida em paciente: o erro médico que levou à morte de Manoel Cardoso de Brito em João Pinheiro, MG.
Com informações da CNN
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