O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) inicia neste sábado (17) o recebimento de pedidos de ressarcimento para investidores de Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do Banco Master, liquidado em dezembro de 2025 pelo Banco Central. O fundo estima pagar R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil credores.
Pessoas físicas devem usar o aplicativo do FGC para as solicitações. Empresas, por sua vez, precisam acessar o site oficial do Fundo Garantidor de Crédito para realizar os pedidos de ressarcimento.
Daniel Lima, diretor-presidente do FGC, afirmou que a equipe do liquidante do Banco Master, com apoio do FGC, “trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível”.
“A partir deste momento os credores já podem dar continuidade ao processo de solicitação da garantia utilizando o aplicativo do FGC”, disse Lima. Ele acrescentou que, após a conclusão desta fase, o credor receberá o pagamento em até dois dias úteis, em uma conta de sua titularidade.
Como solicitar o ressarcimento de CDBs do Banco Master
O FGC revisou as estimativas iniciais. O número de credores da garantia, antes estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil. O valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025. Este montante garante a capacidade do fundo de cobrir os valores devidos aos investidores.
FGC alerta para tentativas de golpe
O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia. O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o aplicativo do FGC, telefone, e-mail e redes sociais.
“O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários”, informou o fundo. “Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS.”
O presidente do FGC, Daniel Lima, ressaltou a importância de as pessoas estarem atentas para não serem enganadas. “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”, acrescentou.
Liquidação do Banco Master
O Banco Central liquidou a instituição de Daniel Vorcaro em 18 de dezembro de 2025. O banco já operava sob risco de falência devido ao alto custo de captação e à exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações interromperam todas as negociações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Quem está protegido pelo FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) protege os saldos de correntistas e investidores em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. A cobertura varia conforme o tipo de aplicação.
Estão dentro das regras do FGC produtos como CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB), além de Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
Por exemplo, quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.
Quem não está protegido pelo FGC?
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo. Isso inclui Debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
Fundos de investimento e títulos emitidos fora do sistema de proteção também não possuem a garantia do FGC. Nesses casos, não há indenização automática.
Todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
FGC inicia pagamentos de ressarcimento para investidores de CDBs do Banco Master, garantindo até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.
Com informações do g1
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