Last updated on 19 de agosto de 2025
Sumário
O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou oficialmente que o Drex, a moeda digital do Real (CBDC), entrará em operação a partir de 2026, em uma fase inicial limitada e voltada exclusivamente para o sistema financeiro. Contrariando expectativas de um lançamento amplo ao público, o projeto será implementado de forma cautelosa, sem uso de blockchain e sem tokenização, com foco em processos internos — especialmente na reconciliação de garantias no mercado de crédito.
A decisão, analisada pelo economista Fernando Ulrich, reflete uma estratégia técnica e pragmática, priorizando soluções que tragam eficiência operacional sem expor o cidadão a riscos ainda não discutidos publicamente.
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Moeda digital brasileira | Mudança de rumo no projeto original
Inicialmente apresentado como uma moeda digital brasileira potencialmente acessível ao público, o Drex sofreu uma guinada estratégica. Em vez de uma CBDC de varejo (voltada para cidadãos), o BCB optou por um modelo de atacado, voltado a instituições financeiras. A mudança foi motivada por entraves técnicos, especialmente em relação à privacidade, escalabilidade e segurança jurídica.
Segundo Ulrich, a escolha demonstra maturidade institucional:
“O Banco Central está priorizando entregas concretas, evitando o sensacionalismo em torno de tecnologias como blockchain. A primeira fase é sobre resolver problemas reais do sistema financeiro, não sobre criar uma ‘moeda do futuro’.”
O uso de tecnologias como o Hyperledger Besu, previsto em fases experimentais, foi descartado temporariamente.
O que é — e o que não é — o Drex de 2026
É essencial esclarecer: o Drex não é um “real digital” em circulação popular.
- ❌ Não é uma CBDC de varejo;
- ❌ Não substitui o dinheiro físico;
- ❌ Não cria contas diretas entre cidadãos e o Banco Central;
- ✅ É uma infraestrutura de atacado, voltada a bancos e instituições financeiras;
- ✅ Tem como objetivo principal agilizar e automatizar processos como a verificação de garantias em operações de crédito.
O modelo mantém a estrutura atual: o BCB continua por trás dos bastidores, sem interação direta com o público.
Pix vs. Drex: funções complementares, não concorrentes
O Pix continua sendo a principal ferramenta de pagamento instantâneo no Brasil — rápida, acessível e usada por mais de 100 milhões de pessoas. Já o Drex, na versão de 2026, atua em um nível diferente: nos bastidores do sistema financeiro.
| Característica | Pix (em uso) | Drex (2026) |
|---|---|---|
| Público-alvo | Cidadãos e empresas | Instituições financeiras |
| Finalidade | Pagamentos do dia a dia | Reconciliação de garantias |
| Blockchain | Não | Não (nesta fase) |
| Tokenização | Não | Não (nesta fase) |
| Interface com o público | Sim (apps, QR Codes) | Não |
“O Pix já resolveu o problema dos pagamentos. O Drex está resolvendo o problema da eficiência operacional no crédito”, resume Ulrich.
Riscos e debates internacionais
A cautela brasileira se alinha a um movimento global de resistência a CBDCs de varejo. Em países como os Estados Unidos, há forte oposição política. A Flórida aprovou leis proibindo o uso de moedas digitais do governo, e o ex-presidente Donald Trump assinou um decreto bloqueando seu desenvolvimento, alegando riscos à liberdade financeira.
Ulrich destaca preocupações reais com uma eventual expansão do Drex para o público:
- Rastreamento total de transações;
- Possibilidade de juros negativos automáticos;
- Bloqueio programado de recursos;
- Perda de anonimato financeiro.
Preciso me preocupar com a nova moeda digital brasileira?
Para o cidadão comum, não há motivo para preocupação imediata. A versão do Drex em 2026 é uma ferramenta técnica, invisível ao público.
“Ninguém vai ‘perder o dinheiro’ ou ter sua conta congelada por decreto. Isso é especulação. O risco real surge apenas se houver uma futura transformação do Drex em CBDC de varejo — e isso exigiria um amplo debate público, legislação específica e garantias de privacidade”, afirma o economista.
Próximos passos
O cronograma oficial prevê:
- 2025/2026: Definição da arquitetura centralizada (sem blockchain);
- 2026: Lançamento inicial focado em garantias de crédito;
- Pós-2026: Avaliação de expansão para tokenização e novas aplicações.
O BCB reforça que qualquer evolução do projeto será acompanhada de transparência, consulta pública e análise de impacto.
O que o cidadão deve fazer?
Acompanhar. Questionar. Exigir clareza.
O Drex de 2026, mesmo em sua fase técnica, é um passo rumo a um sistema financeiro cada vez mais digital. O papel da sociedade é garantir que, se um dia o “real digital” chegar às mãos do povo, ele o faça com proteção à privacidade, limites claros e soberania do usuário.

