O dólar comercial encerrou a sexta-feira (13) em forte alta no Brasil, cotado acima de R$5,30. A valorização da moeda norte-americana acompanhou a piora generalizada dos ativos de risco no cenário global, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.
O fechamento da sessão registrou o dólar à vista em R$5,3166, com avanço de 1,34%. A divisa seguiu o movimento de outras moedas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Na semana, o dólar acumulou alta de 1,43% frente ao real. No entanto, no acumulado do ano, a moeda ainda apresenta queda de 3,14%. O dólar futuro para abril, o mais negociado na B3, subia 1,15%, atingindo R$5,3420 às 17h06.
O Banco Central (BC) realizou dois leilões simultâneos na manhã desta sexta-feira. A instituição vendeu US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos de swap cambial reverso, totalizando US$1 bilhão.
A operação, conhecida como “casadão”, eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse. Contudo, o efeito sobre as cotações do dólar é considerado nulo, pois o BC vendeu e comprou o mesmo montante de dólares.
Cenário externo pressiona cotação do dólar
Em sua operação regular de rolagem, o BC também vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional, equivalentes a US$2,5 bilhões. Esta ação visou o vencimento de 1º de abril e não tende a influenciar as cotações.
No exterior, o conflito no Oriente Médio continua a gerar instabilidade. O Irã afirmou que navios devem coordenar-se com sua Marinha para transitar pelo Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial.
Os Estados Unidos, por sua vez, emitiram uma isenção de 30 dias para que países comprem produtos petrolíferos russos sancionados que já estão no mar. A medida busca aliviar os preços do petróleo e do gás.
O petróleo tipo Brent, após oscilar, voltou a ser negociado acima dos US$100 o barril nesta sexta-feira. A alta mantém os temores de que a guerra possa espalhar inflação globalmente, incluindo o Brasil.
Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, comentou que “houve uma piora no exterior, com o petróleo voltando aos US$100, com a indefinição na guerra. O dólar também estará subindo ante os pares do real”.
No campo comercial, o escritório do Representante de Comércio dos EUA iniciou investigações de práticas comerciais desleais da Seção 301. Sessenta economias, incluindo o Brasil, são alvo por supostas falhas na adoção de medidas sobre trabalho forçado.
A iniciativa representa um esforço do governo Trump para restabelecer a pressão tarifária global. A ação ocorre após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais as tarifas globais em 20 de fevereiro.
As investigações comerciais dos EUA e o conflito no Oriente Médio seguem em curso, mantendo a atenção do mercado financeiro global.

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